Garotas e livros

Exodus - Julie Bertagna

Por 14:40 8 comentários



Exodus

Autora: Julie Bertagna
Editora: Farol Literário
Ano: 2011
Páginas: 343


- O que você tanto olha? O que está procurando, Mara?
- Milagres - responde ela



Exodus é uma distopia bem intrigante. O enredo tem tudo para ser bom, mas acho que a autora se perdeu em alguns pontos. A história é narrada em terceira pessoa, então ficamos 'acima' de tudo o que se passa, 'vendo' tudo pelos olhos da autora. Mara Bell é a personagem principal. Uma adolescente de 15 anos, que vive em uma época onde o mar cobre quase toda a Terra. Em um momento onde tudo foi devastado pela ganância humana. Onde não impedimos o aquecimento global e consequentemente, o derretimento das calotas polares e a inundação do planeta. Quase tudo se foi. Existem ilhas, em meio aos grandes morros, onde habitam alguns cidadãos. Até onde sabem, existem pessoas isoladas pelo mundo. Porém ninguém tem ideia se há realmente algum lugar para ficar a salvo.

Eu achei que o primeiro erro da autora foi colocar toda essa passagem em 2099. Não que a Terra não possa estra assim. Infelizmente, isso é possível. Mas os povos destas ilhas já não lembram de como a Terra realmente era. Só os anciões é que lembram. Tipo, é uma data muito recente para haver tão poucas pessoas que realmente saibam como toda essa bagunça mundial ocorreu. Ela deveria ter colocado um ano mais distante. A história ganha forma e fica mais interessante quando Mara, viajando pelo ciberwizz, que é um tipo de jogo online que te coloca em um mundo paralelo, e que você encontra outras pessoas de lugares totalmente diferentes. E é nesse mundo paralelo, chamado Weave, que Mara encontra uma Raposa. Um ser que diz a ela haver outros lugares, cidades inteiras. E Mara, acreditando piamente nesse ser, diz ao povo de sua ilha que há um lugar para eles irem, já que o mar sobre cada vez mais rápido e em breve a ilha sumirá do mapa.

Acontecem muitas coisas nesta viagem, mas o principal é que quando realmente chegam aos portões desta cidade que foi projetada para ser uma cidade que fique acima do nível da Terra (Ou seja, uma cidade suspensa), eles são proibidos de entrar. Esse Mundo Novo mantém todos os refugiados de suas ilhas ao lado de fora dos portões. Mas com uma reviravolta terrível na vida de Mara, ela consegue entrar. Lá, ela encontra os Treenesters, um povo com olhos de coruja que vivem à margem do Mundo Novo. Esse povo crê em uma lenda, a lenda do rosto da pedra, uma mulher que virá para salvar o mundo e por um acaso, Mara se parece com ela. 

Pronto, a partir daí o livro começa a ficar cada vez mais lento. Mara começa a viver com esse povo e a aprender mais sobre tudo. Sobre o Mundo Novo, chamado Munno. Eu me arrastei pra caramba nestas páginas. Tive uma cruel dificuldade para imaginar o cenário. Pensei até em desistir. Estava achando o livro um verdadeiro saco, com essa história de lendas, profecia, blá, blá, blá. Mas me disseram que o final melhorava muito e valia a pena continuar.  E realmente, o final foi bom.
Queria falar mais sobre ele, mas fico só com o comentário de que ela consegue entrar em Munno. E nada é como era antigamente. Essa nova Terra é superficial demais. A sociedade é outra e existe o poder nas mãos de um pequeno grupo, que comanda tudo e a todos.
A autora deixa, no início do livro, uma parte que me chamou muito a atenção:
"Posicione-se no frágil momento antes da devastação começar e tente entender o que se passava. Seria o lugar onde estamos agora, exatamente à beirada catástrofe?"
Eu não consegui parar de refletir sobre isso. Por mais que falemos das consequências do desenvolvimento acelerado e muito mal planejado, ainda se tem muito a fazer para impedir um fim como este. Uma verdadeira catástrofe. E será que estamos mesmo neste momento? Estamos vivenciando isso? 

Outro trecho interessante do livro é este:
"Todas as previsões estavam erradas, e todos os acordos políticos que impediriam o aquecimento global fracassaram, não deram em nada. Os governos do mundo inteiro não conseguiam entrar em um acordo para nada - ou cumprir qualquer  tratado que já estivesse em andamento. De repente, ficou tarde demais..."

Ninguém nunca disse que salvar o planeta seria fácil, mas é extremamente necessário. Vamos fazer cada um, um pouco. Quem sabe a gente consiga algo!



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8 comentários

  1. Pelo menos o livro tem início e final bom. Por conta disso eu leria, mas não agora.

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  2. Oi Danni!

    Adorei sua resenha. Esperava mais de Exodus, realmente senti o mesmo que você: a autora não soube dosar bem a distopia e acrescentou fantasia demais desnecessariamente. Mas vale a pena ler Zenith, que é a continuação (a série sobiu de 3 para 4.5 estrelas, na minha opinião).

    Bjosss

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  3. Distopia não é a minha praia...

    É a primeira resenha que leio desse livro.

    Também achei a data próxima, :(

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  4. Danni, Exodus parece ser mesmo um livro interessante. Eu só conheço o livro bíblico que leva o mesmo nome e trata da peregrinação judaica. Fiquei curioso. Danni, a propósito, aceite meu convite e venha ver o texto de número 292 de minha literatura amadora. >>> HEMATÓFAGO no http://jefhcardoso.blogspot.com lhe espera. Abraço!

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  5. O tema é interessante, mas essas reviravoltas... lentidões... não me atraiu. Quem sabe futuramente?

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  6. Gosto bastante de distopias, e essa me pareceu ser bem legal. É realmente uma pena que a autora não conseguiu desenvolver a ideia. Mas pelo menos o final deixou uma pontinha de esperança pela continuação.
    Gostei da capa.

    @_Dom_Dom

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  7. Acho que a ideia central é boa, porque, querendo ou não, nos faz refletir sobre o aquecimento global. Mas não ando muito encantada por distopias ultimamente :T

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  8. Oi..

    Gostei muito da sua resenha embora o livro não tenha me chamado a atenção apesar de ter adorado a sua linda capa.. Esse tema embora seja de suma importância não me interessou para ler.

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