Garotas e livros

O Menino dos Fantoches de Varsóvia/ Eva Weaver

Por 13:44 2 comentários

Vou contar uma história de um casaco. Calma... na verdade, o casaco vai contar pra vocês sua história. Porque o que ele já viveu, não é brincadeira não. Em seus bolsos, secretos ou não, além de várias bugigangas, histórias vivem e personagens impressionantes fazem parte delas. Permita-lhes apresentar sua história...


Mesmo diante de uma vida extremamente difícil, há esperança. E às vezes essa esperança vem na forma de um garotinho, armado com uma trupe de marionetes – um príncipe, uma menina, um bobo da corte, um crocodilo... O avô de Mika morreu no gueto de Varsóvia, e o menino herdou não apenas o seu grande casaco, mas também um tesouro cheio de segredos. Em um bolso meio escondido, ele encontra uma cabeça de papel machê, um retalho... o príncipe. E um teatro de marionetes seria uma maneira incrível de alegrar o primo que acabou de perder o pai, o menininho que está doente, os vizinhos que moram em um quartinho apertado. Logo o gueto inteiro só fala do mestre das marionetes – até chegar o dia em que Mika é parado por um oficial alemão e empurrado para uma vida obscura. Esta é uma história sobre sobrevivência. Uma jornada épica, que atravessa continentes e gerações, de Varsóvia à Sibéria, e duas vidas que se entrelaçam em meio ao caos da guerra. Porque mesmo em tempo de guerra existe esperança.

Título original: The puppet boy of Warsaw
Autor (a): Eva Weaver
Editora: Novo Conceito
Ano: 2014
Páginas: 400



Tudo começou numa pequena alfaiataria, quando o avô de Mika encomenda um lindo sobretudo. Era 1938, e em Varsóvia, os judeus ainda podiam andar tranquilamente pelas ruas, lugar onde florescia a cultura judaica. Mas isso não durou por muito tempo. Como todos sabem, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os judeus, dentre outras minorias, foram perseguidas pelo Nazismo, em prol da raça ariana. Mika, um garoto de 12 anos apenas, morava com sua mãe e seu avô judeus em Varsóvia. A Polônia foi um dos primeiros países a ser tomado pela Alemanha. A história é narrada por Mika, e ele conta o inferno que era naqueles primeiros dias de bombardeio. Quando Varsóvia se rende, aos poucos, os judeus vão perdendo todos os direitos que tem como cidadãos. Nem andar pelas calçadas podiam, pois não eram 'dignos'. Até que todos os judeus de Varsóvia foram colocados, no que ficou famoso como o Gueto de Varsóvia. O maior gueto judaico estabelecido pela Alemanha nazista durante o Holocausto. No gueto, a guerra era pela sobrevivência. As vezes era um pedaço de pão pra família toda. E se não estiver em casa depois do toque de recolher, ou até andar de forma suspeita na rua, era morto na hora. Quando estavam no Gueto, o avô de Mika nunca tirara seu sobretudo. Antes de chegarem ali, ele havia criado vários bolsos, secretos e visíveis, e era impressionante quanta coisa ele passou a esconder ali naquele sobretudo. Era como se ele quisesse guardar toda uma vida nos seus bolsos. No gueto, o avô passava muito tempo no quartinho sozinho, e ninguém sabia o que ele fazia. Certo dia, após defender uma moça judia contra um policial nazista, o avô leva um tiro. Antes de morrer, ele diz pra Mika ficar com o casaco e que cuidasse bem dele. Depois de vários dias de luto, Mika passa a descobrir o mundo que o avô tinha no casaco.E ao visitar o quartinho do avô, descobriu o que ele tanto fazia: fantoches. Tinham vários, alguns ainda terminando de serem confeccionados. E Mika descobriu um refúgio para todo aquele caos ao seu redor. Após fazer uma apresentação para umas crianças que estavam também na sua casa, junto com sua prima, descobriu o poder que os fantoches tinham: o de fazer sorrir. Mesmo com toda fome, com toda a tristeza, com todo pânico, aquele sorrisos, faziam esquecer por um momento todo aquele sofrimento. 

E foi assim que Mika foi sendo chamado para fazer apresentações com seus fantoches por várias pessoas do gueto, e a recompensa era sempre um pouco de comida que tinham, um pedaço de pão ou um pouco de açúcar. Dois lugares que Mika gostava de ir, apesar de toda tristeza que sentia era o Orfanato e Hospital de Crianças Judias.  E numa das voltas pra casa do Hospital, ele viu um soldado interrogando uma senhora com uma cesta. Sem perceber, ele interrompe a conversa com um dos seus fantoches. Aquilo surpreende o soldado. Mas, ao invés de bater em Mika, ele ri. E partir daquele dia, Mika vive uma nova experiencia. O soldado leva-o para o lado ariano, e faz com que ele anime os soldados com os seus fantoches. Toda semana, o soldado (Max), o encontra no mesmo lugar do qual combinaram. Mika se sentia péssimo por isso, se sentia um traidor. Mas até que isso virou uma oportunidade pra um bem maior. Com o seu casaco, ele conseguia levar crianças para fora do gueto, e antes da apresentação, tinha alguém esperando, e assim outra família cuidava dela, com uma outra identidade. Até que começaram as deportações... os judeus foram sendo levados para campos de concentração. Mika conseguiu um jeito de se esconder no gueto. Mas as coisas foram ficando cada vez piores....


"- [...] Sempre penso no que o poeta Leopold Staff dizia: 'Mais do que pão, a poesia é necessária em épocas em que não há nenhuma necessidade de ouvi-la'. Sei que é difícil lembrar disso quando estamos com fome o tempo todo, mas não podemos esquecer do poder da música e dos seus fantoches.
- Sim, mas não podemos comer música, nem os fantoches. Que utilidade eles têm no meio de tanta adversidade?
    Ele olhou pra mim com olhos penetrantes, mas colocou gentilmente sua mão quente sobre meu ombro.
- Meu caro rapaz, se pessoas como você não existissem, os alemães já teriam vencido, já teriam nos destruído no lugares que realmente importam. - Ele apontou para seu peito, seu coração. - Eles já teriam entorpecido nossos corações, assassinado nosso espírito, roubado nossas almas. Seus fantoches trazem uma fagulha e uma luz que nos mantêm vivos. Isso é muito precioso, Mika. É tudo o que podemos fazer no momento. "


Sério, que livro lindo. Amei a história, amei a escrita da autora! É leve, emocionante e muito envolvente. Só dei uma pincelada sobre o livro, mas tem muita coisa que não mencionei- claro, vai perder a graça. O que posso dizer que é uma história bem contada, personagens fascinantes. Mika mesmo, que garoto! E o seu fantoche favorito, o Príncipe! Eita, que esse fantoche tem história pra contar! Ellie, a prima e primeira namorada de Mika, amava ler, e uma guerreira! Participa do Levante do Gueto, e luta pelo seu povo até a morte. E Max, o soldado: ah, tem muita coisa pra saber sobre ele! A segunda parte do livro, é contado por Max, depois das deportações, quando foi prisioneiro de guerra na Sibéria...E é uma história linda demais. Uma história de arrependimento e perdão, e da realidade cruel que a guerra deixara nas vidas de várias pessoas. A guerra matara milhões. E deixou também milhões de mortos-vivos. Sim, é uma história triste, mas também linda. E claro, tem seus sorrisos, eu digo que vale super a pena! Sem falar na edição! Que capa linda, sem falar na diagramação! Muito bom!  Aproveitem a leitura! Até a próxima! 













Você Deve Gostar Disto:

2 comentários

  1. Adorei a dica, estava precisando de um livro para ler agora. Sua resenha é ótima!
    Vou ver se o acho ainda hoje como Epub.

    Beijos,
    chuvadeejaneiro.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Nuzz ótima resenha! Vou procurar pra ler com urgência!


    http://11meumundo.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir

Translate

Garotos são bem-vindos!

Google+ Badge