Garotas e livros

O Guardião Invisível - Dolores Redondo

Por 07:00 2 comentários

"Esquecer é um ato involuntário. Quanto mais você quer deixar algo para trás, mais ele o persegue."

Willian Jonas Barkley


Às margens do rio Baztán é encontrado o corpo de uma adolescente, assassinada em uma cerimônia macabra. No local, há pelos de diversos animais, vestígios de couro e rastros de algo não humano. Ela não foi a primeira vítima nem será a última. A imprensa logo responsabiliza o basajaun pelo crime, uma figura mítica guardiã dos bosques. Agora, Amaia Salazar, a investigadora responsável pelo caso, precisa retornar à sua cidade natal e lidar com fantasmas do passado enquanto busca um assassino em série muito mais aterrador do que pode imaginar. 
Título original: El Guardián invisible
Autor: Dolores Redondo
Editora: Record
Ano: 2014 
Páginas: 360



Já era madrugada quando o telefone de Amaia toca. Após ouvir as instruções, ela segue ao local do crime. Amaia é a primeira mulher a se tornar investigadora em seu departamento. Além de passar um tempo já na polícia, fez cursos no FBI. Seu marido, James, é um artista plástico, e trabalha mais em casa fazendo esculturas. Mesmo acostumada com cenas de assassinato, a cena do crime a choca. A vítima era uma garota de 12 anos, seu corpo fora encontrada no bosque, as margens do Rio Baztán. Deitada de costas, tinha suas roupas rasgadas, mostrando sua nudez, e envolta do pescoço uma corda, da qual fora usada para enforcá-la. Mas de toda a cena, o estranho era que seu púbis estava depilado, os pelos estavam em volta do seu corpo, e sobre a pélvis um txatxingorri, um pequeno doce dourado típico da região. A garota só fora encontrada, porque suas botas estavam na estrada, perfeitamente alinhados. E só pra piorar, esse não é o primeiro caso de uma garota assassinada assim. E tampouco foi a última. Tais crimes levam a polícia à Elizondo, um pequeno povoado, num vale, e onde histórias passadas parecem não morrer. E onde seus moradores tem uma ligação muito forte com seu passado. E é onde foi que Amaia cresceu. Um lugar que Amaia não desejava tanto voltar. Mas, o delegado a coloca para comandar a investigação. 


- Um pedófilo que gosta de menininhas?
- Nao, não, se fosse um pedófilo ele escolheria direto menininhas, e essas são adolescentes, mulherzinhas em maior ou menor grau, no momento em que as meninas querem parecer mais do que são na realidade.[...] Mas o assassino não gosta dessas mudanças.

Assim como em muitos outros lugares, Elizondo também viveu histórias inesquecíveis. Como é o caso de muitos desastres naturais e epidemias terríveis, mas todos se mantêm firmes à sua origem. E é lá também que as lendas e seres místicos habitam no imaginário daquele povo, e onde tem grande influência sobre ele. 
Um desses seres místicos é o basajaun. Um hominídeo que mede uns dois metroo e meio de altura, e atua nos bosques como uma entidade protetora. Segundo as lendas, ele cuida para o equilíbrio do bosque se manter intacto. Mesmo que não se mostre muito, costuma ser amistoso com os humanos.
As cenas do crime, pouco indicava sobre o assassino. Mas parecia ser um homem, que não gostava da transição das meninas para mulher. A forma como ele as deixava, com um quê de sexual, mas não as abusava mesmo. Como deixar suas mãos pra cima, como uma imagem de Maria. E o de mais esquisito é que foram encontrados pelos como se fosse de urso. E daí, não demora muito pra imprensa responsabilizar o basajaun pelo crime. Como Amaia não acredita nessas lendas, descarta logo a ideia.


" -Chefe, temos outra garota morta [...]
Amaia engoliu em seco antes de responder. Zabalza tinha dito temos outra, como se fossem figurinhas de uma coleção. Aquilo estava se acelerando de uma maneira poucas vezes vista. Se o ritmo dos crimes continuasse a aumentar, o sujeito entraria em parafuso e seria mais fácil cometer um erro que permitisse apanhá-lo, porém, o preço em vidas até então seria muito alto. Já era muito alto."


Mas, as pistas para o assassino parece levar a lugar nenhum. E os pesadelos de Amaia parecem cada vez piores. Sua estadia em Elizondo traz à tona questões não resolvidas, uma vida passada que não quer lembrar. E talvez, seja por isso que ela não consegue ver a pista que falta para o crime 'basajaun'. Antes será preciso vencer alguns fantasmas do passado, para vencer os fantasma real do presente...

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Fluente, direta, e envolvente.. assim é como escreve Dolores Redondo! Leitura fácil, e tal como tem na capa, pelo El País: "Prende o leitor desde a primeira página". Exatamente. Uma história bem desenvolvida, e seus personagens também. Personalidades fortes, e também diferentes. Como Flora, a irmã de Amaia.. Nossa, que mulherzinha chata! kkk As histórias e lendas.. ah, acho tudo interessantíssimo! E claro, todo o repúdio pelos crimes bárbaros! Pra finalizar.. a capa é linda demais! A tipografia muito bem escolhida, e os efeitos de cor na imagem! Ficou TOP, editora Record! E quanto ao final, fiquei meio assim: oi ? Só isso ? Beleza, foi legal, mas foi muito seco em relação a algumas coisas. Mas aí depois vi que era uma trilogia! Okay, então que venham os próximos \o


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2 comentários

  1. Mais uma trilogia para eu anotar...
    Bjs, Rose

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  2. Oi Gabbe,
    Não conhecia o livro, nem a autora, mas adorei a resenha a ponto de pensar em incluir na lista. Só que... mais uma série? Que mania viu?!
    Esses personagens bem trabalhados são ótimos, não nos confundem.
    Mas vamos que vamos descobrir quem é o assassino!

    Minha Velha estante
    Leitura Nossa de Cada Dia

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