Garotas e livros

[Série O doador de memórias] A escolhida - Lois Lowry

Por 22:19 1 comentários

Quando li O doador de memórias, embarquei em uma distopia extremamente interessante. Já imaginou um mundo sem miséria, sem desigualdade social, sem conflitos, sem medo, sem fome? No primeiro volume da série é este cenário que vemos. Mas quando entramos no universo do segundo livro, encontramos um ambiente totalmente diferente e personagens que não fizeram parte do primeiro volume. A princípio comecei a me questionar sobre quem seriam essas novas pessoas do enredo e esperar o momento em que tudo se fundisse e as histórias do primeiro e segundo livro começassem a compartilhar do mesmo ambiente e trama. Mas o que a autora mostra é algo totalmente diferente e ao mesmo tempo muito parecido.


A Escolhida - Kira, uma órfã de perna torta, vive em um mundo onde os fracos são deixados de lado. A partir do momento da morte de sua mãe, ela teme por seu futuro até que é perdoada pelo Conselho de Guardiões. A razão é que Kira tem um dom: seus dedos possuem a habilidade de bordar de forma extraordinária. Ela supera a habilidade de sua mãe, e lhe cabe a tarefa que nenhum outro membro da comunidade pode fazer. Enquanto seu talento a mantêm viva e traz certos privilégios, ela percebe que está rodeada de mistérios e segredos, mas ninguém deve saber sua intenção de descobrir a verdade sobre o mundo.
Título original: Gathering Blue
Série O doador de memórias
Autora: Lois Lowry
Editora: Arqueiro
Ano: 2014
Páginas: 192

"Ela costumava estar ali. Agora não estava mais.Vida que segue."


Um vilarejo com uma população miserável. É isso que choca quando o autor vai narrando o cenário que passa a nossa frente. Pessoas que vivem em pobreza, por vezes extrema, vivem para o trabalho e cuidar das suas crias e fazem tudo conforme os padrões estabelecidos pelos governantes. Quando conhecemos Kira e vemos a dificuldade pela qual ela está passando para se manter no vilarejo, simpatizamos de cara com a jovenzinha que tem um defeito na perna e por isso, é tida como descartável para a maioria da população de lá. São raras crianças consideradas defeituosas que são deixada para viver. Mas Kira acabou sendo uma exceção. O que foi até válido porque, quando maior, ela demonstra que tem um grande dom.

"Tremeu levemente de medo. O temor sempre fizera parte da vida das pessoas. Por causa do medo, elas construíam abrigos, buscavam comida e plantavam hortas. Pelo mesmo motivo, armazenavam armas, precavidas. Havia o medo do frio, da doença, da fome, das feras.
E foi o medo que a impulsionou naquele momento, apoiada em seu cajado. Ela lançou um último olhar para o corpo sem vida que um dia abrigara sua mãe e perguntou-se aonde poderia ir.”

Assim como Kira, outras crianças tinha dons e curiosamente, todas elas foram parar no Edifício do Conselho, onde ficavam o homens sábios, Guardiões da cidade. Esses jovens trabalhariam para o conselho, cada um usando de seu dom em específico e por isso, ganharam um lar, comida e conforto. Para os jovens, tudo estava bem, até Kira começar a perceber que a realidade estava muito mais além do que eles viviam e havia muito mais coisas por trás daquelas portas e silêncio comedido, do que ela podia saber. 

"Kira compreendeu de repente que, embora sua porta estivesse destrancada, não era livre de verdade. Sua vida se limitava àquelas coisas e àquele trabalho. Ela estava perdendo a alegria que costumava sentir quando as linhas de cores vivas tomavam forma em suas mãos, quando os bordados vinham a ela e eram só seus."

Na maior parte do livro, a ingenuidade de Kira me tirava do sério. Mas não dá pra culpá-la. Ela nunca conviveu com o lado mal e ganancioso de certas pessoas. Muito menos imaginou um dia sequer, questionar o Conselho por algo errado. Mas, quanto mais ela vai observando aquilo que está em sua volta, mais o livro ganha ritmo e você quer mais é que ela perceba o quão distorcida a sociedade está. Apesar de não ter nada com o que comparar, ela acaba descobrindo que existem outros lugares que podem ser diferentes dali. Que as pessoas não querem se matar por besteiras, que podem ser, apesar de tudo, humanas. Assim como ela, assim como Matt - o garoto que mora no brejo, um local imundo e quase inóspito. Assim como Thomas, que praticamente cresceu no conselho trabalhando. 


"Não é verdade. Eu preciso de todos vocês. Nós precisamos uns dos outros."

O final é surpreendente e deixa aquele ar de quero mais com uma expectativa incrível. Apesar de os personagens e cenários serem diferentes do que você podia esperar uma continuação, o livro não deixa nada a desejar. Tanto o primeiro quanto o segundo são livros ótimos, e eu espero agora ansiosa pelo terceiro volume da série! E tenho que falar dessa capa linda! Amei demais o trabalho da editora.



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1 comentários

  1. Oi minha querida :)
    Já faz algum tempo mas lembra que fez uma entrevista comigo?! Foi publicada agora mesmo no blog
    http://fofocas-literarias.blogspot.pt/2015/03/viciados-na-leitura-garotas-e-livros.html

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