Garotas e livros

Uma história de amor e TOC - Corey Ann Haydu

Por 10:30 1 comentários

Uma história de amor e TOC foi uma surpresa muito boa quando chegou. Realmente não esperava esse presente fofo em mãos, mas chegou trazendo uma história delicada sobre transtornos e compulsões em adolescentes. TOC pode não ser um tema muito abordado, mas é um problema que atinge milhares de pessoas. Muitas das quais nem sabem o que tem. Alguns dos transtornos citados na obra são mais leves. Limpeza excessiva, uma certa ordem demasiada, preocupação exacerbada com o físico, stalkear alguém. Alguém já se pegou conferindo a bolsa diversas vezes para ver se guardou mesmo o celular lá? Bem, eu tenho essa mania, ou seria transtorno, agora que li a respeito? vale investigar... 
Bea foi diagnosticada com transtorno obsessivo-compulsivo. De uns tempos pra cá, desenvolveu algumas manias que podem se tornar bem graves quando se trata de... garotos! Ela jura que está melhorando, que está tudo sob controle. Até começar a se apaixonar por Beck, um menino que também tem TOC. Enquanto ele lava as mãos oito vezes depois de beijá-la, ela persegue outro cara nos intervalos dos encontros. Mas eles sabem que são a única esperança um do outro. Afinal, se existem tantos casais complicados por aí, por que as coisas não dariam certo para um casal obsessivo-compulsivo? No fundo, esta é só mais uma história de amor... e TOC.
Título original: OCD Love Story
Autor: Corey Ann Haydu
Editora: Galera
Ano: 2015
Páginas: 318

"[...] Sou assim, às vezes. Um pouco estranha. Ou, como gosto de pensar, peculiar. Estranha e peculiar."

Bea é uma adolescente que sofre com crises de ansiedade, fala tudo o que vem á mente e tende a ser uma stalker (que significa perseguidor) e que acaba conhecendo um garoto que também possui toc. Diferentemente de Bea, Beck tem uma mania por limpeza, tal como lavar a mão 8 vezes seguidas ao tocar em alguém ou alguma coisa. Eles fazem terapia com a mesma doutora e aos poucos vamos vendo como esses adolescentes lidam com isso. Na terapia em grupo vemos um pouco mais dos diversos problemas que se pode enfrentar as pessoas com toc e como vão lidando com isso dia a dia.

"Eu juro, se conseguisse me controlar e não dizer essas coisas, eu o faria. Mas se não disser as coisas que surgem na minha cabeça, elas poderiam comer minhas entranhas ou eu seria condenada ao inferno por desonestidade, então não posso correr o risco."

Mas gostar de Beck não é o suficiente para ocupar seu tempo. Ela passa a seguir Austin, um cara que vai também à terapia, mas sempre com sua esposa. Ela passa a admirar o casal e a sonhar ser a mulher. Marca todas as suas sessões para que seja depois da deles para que possa colar na porta e ficar espreitando a conversa e anotando tudo o que houve. Descobre onde eles moram e sempre passa na frente do prédio deles, totalmente longe da rota de sua casa. Ela passa a se alimentar da vida deles, das sessões de terapia, de espiar a frente do prédio, deseja ardentemente saber como estão, se estão bem, o que estão fazendo e isso deixaria qualquer um assustado, não é? Bea sabe que isso é errado e tenta lutar com essa sua compulsão. Mas geralmente é mais forte do que ela. 

"Quando somos apenas adolescentes normais temporariamente desonerados por nossa própria loucura, temos pressa um com o outro. Em seguida, as consequências acontecem e paramos. No meio da frase às vezes. Meio do beijo. Meio da paquera. Você congela."

Sua amiga Lisha é a única que sabe dos seus passos e o que ela realmente tem feito. É de uma paciência invejável com as crises de Bea. Como o livro é narrado em primeira pessoa, o que Bea vê e o modo como vê é a base que temos para entender os outros. A autora nos traz esse universo sick-lit, que é um gênero que o protagonista tem alguma doença ou transtorno, bem tipo A culpa é das estrelas. O enrendo é bem construído e vamos compreendendo aos poucos como é ser uma pessoa com toc e como eles lidam com isso. Longe de psicoses e atitudes sociopatas, pessoas com toc vivem como qualquer outra pessoa. Claro que alguns casos são mais simples do que outros, e são situações cotidianas que são exemplificadas no livro. 



"Talvez eu me divirta mais do que Lisha, mas ela tem a vantagem de estar do lado da sanidade, e eu pareço ter um pé fora da fronteira em Loucaville."

Alguns casos comuns que eu já vi de perto: arrancar fios de cabelo. Tive uma amiga na faculdade que tinha essa mania, já estava comum buraco no couro cabeludo. Outra amiga minha só estendia a roupa no varal por cor. Que ninguém colocasse cores misturadas que ela saia arrancando tudo e reorganizando o varal. rs O livro traz as situações de forma leve. É uma leitura lenta. Gostei do tema abordado e dos personagens. É um romance sem dramas exagerados, apenas problemas e rotinas juvenis. É interessante ver a evolução do casal e ver como eles se desafiam para serem melhor um para o outro, para levarem uma vida normal. Recomendo!

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1 comentários

  1. Nossa, eu esperava mais de uma resenha desse livro, os elogios são muitos que nossa kkk

    Ai vou pensar bem antes de ler, beijos

    http://penelopeetelemaco.blogspot.com.br/

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