Garotas e livros

O voo da libélula - Michel Bussi

Por 12:52 0 comentários



Quando li a sinopse do livro me vi querendo ler esse livro o quanto antes. Um suspense que parecia incrível e cheio de reviravoltas, com uma investigação instigante, mistérios e segredos a serem revelados. Era tudo o que eu precisava. Reviravoltas? Checado. Mistério? Checado. Segredos? Checado. Livro incrível? Bem... Infelizmente ele não foi tão incrível para mim.
Vamos lá!

Na noite de 23 de dezembro de 1980, um avião cai na fronteira entre a França e a Suíça, deixando apenas uma sobrevivente: uma bebê de 3 meses. Porém, havia duas meninas no voo, e cria-se o embate entre duas famílias, uma rica e uma pobre, pelo reconhecimento da paternidade.
Numa época em que não existiam exames de DNA, o julgamento estende-se por muito tempo, mobilizando todo o país. Seria a menina Lyse-Rose ou Émilie? Mesmo após o veredicto do tribunal, ainda pairam muitas dúvidas sobre o caso, e uma das famílias resolve contratar Crédule Grand-Duc, um detetive particular, para descobrir a verdade.
Dezoito anos depois, destroçado pelo fracasso e no limite entre a loucura e a lucidez, Grand-Duc envia o diário das investigações para a sobrevivente Lylie e decide tirar a própria vida. No momento em que vai puxar o gatilho, o detetive descobre um segredo que muda tudo. Porém, antes que possa revelar a solução do caso, ele é assassinado.
Após ler o diário, Lylie fica transtornada e desaparece, deixando o caderno com seu irmão, que precisará usar toda a sua inteligência para resolver um mistério cheio de camadas e reviravoltas.
Em “O voo da libélula”, o leitor é guiado pela escrita do detetive enquanto acompanha a angustiada busca de uma garota por sua identidade.

Título original: Un avion sans elle
Autor: Michel Bussi

Editora: Arqueiro

Páginas: 400
Ano: 2015


"Sobraria aquele caderno, aquelas cem páginas redigidas ao longo do últimos dias. Para Lylie, para Marc, para Mathilde de Carvalle, para Nicole Vitral, para a polícia, para os advogados, para quem quisesse mergulhar naquele abismo..."


Me digam vocês... Um avião cai. Um bebê de 3 meses sobrevive. Uma menininha. Porém, dois avós paternos aparecem. Tinham duas crianças no avião, ambas de 3 meses, apenas 3 dias de diferença de uma para a outra. Aparentemente parecidas, de acordo com as características familiares... De quem era a criança? Lyse-Rose de Carville ou Émile Vitral? Em uma época onde testes de DNA não existiam, o que fazer quando não se sabia ao certo a quem pertencia a bebê de apenas 3 meses de vida? Um thrillher bem interessante, não é? Seria, se o autor não se arrastasse tanto no enredo. O começo do livro é muito bom, com todas essas dúvidas e todas as provas levantadas para saber de que família a bebê Lylie - apelidada também de Libélula - pertencia. Aos Carville, família rica e de muita influência, ou aos Vitral, pessoas humildes e simplórias?

"Algum dia  um juiz teve esse poder, de matar uma criança para outra poder viver? De ser ao mesmo tempo salvador e carrasco? Uma família saía ganhando , a outra perdia tudo. Todo mundo concordava que era melhor assim.
Escolher.
Com certeza. Mas com base em quê?"

O juiz tinha que ter um veredicto. A criança não poderia ficar nas mãos do governo para sempre, e eles tinham alguns meses para tomar uma decisão. Decisão esta que deixaria uma das famílias em luto, e a outra, com a prova viva de um milagre. Mesmo tomada a difícil decisão, ainda restavam dúvidas. Sempre restariam. Uma das famílias então, contratou um detetive particular para estudar cada mínimo detalhe, cada particularidade, cada depoimento, cada prova apresentada, o que tivesse para procurar, Grand-Duc procuraria. O detetive estava sendo pago para isso. Para que as dúvidas fossem sanadas. Mas após 18 anos de busca, nada. Até o momento em que ele vai puxar o gatilho, que vê no jornal de 18 anos atrás, o jornal que noticia o acidente,  a resposta. O fim. A solução. Daí o livro passa para outro momento e quando voltamos para Grand-Duc ele está morto. Ah vá! 

“Ainda não conseguia acreditar no que estava vendo. Suas mãos tremiam. Um forte calafrio o percorreu, da nuca à base das costas.
Tinha conseguido!
A solução estava ali, desde o princípio, à espera, sem pressa: era impossível encontrá-la na época, dezoito anos antes. Todo mundo tinha lido aquele jornal, todo mundo o tinha esmiuçado e analisado mil vezes, mas ninguém poderia ter adivinhado, nem em 1980 nem durante todos os anos que haviam se seguido.
A solução saltava aos olhos… com uma condição.
Uma única condição, totalmente absurda.
Abrir aquele jornal dezoito anos depois!”


Claaaaaro que este é o objetivo do autor. Nos deixar curiosos e nos fazer devorar o livro para descobrir a verdade. Nos instigar a querer mais e nos levar à outra possível prova de que o mistério enfim acabou. E foi isso que fiz, até porque o Grand-Duc tinha deixado pronto um caderno narrando toda sua investigação, praticamente em forma de romance policial. Mas é aí que começa a ficar lento, ao menos para mim. Lylie some depois de ler o caderno e o entrega a seu irmão, que tenta descobrir o que aconteceu para ela desaparecer assim. E ele é jogado que nem bolinha de ping pong, de um lado para o outro, correndo para cima e para baixo atrás de respostas e isso me cansou mais do que animou. Ficava morrendo de dó do coitado, até porque ele era o mais interessado na resposta, afinal, é completamente apaixonado por Lylie. Mas mesmo querendo saber a resposta, o livro não estava me prendendo tanto, a leitura foi se arrastando e ficando mais lenta, até os dias me que eu nem pegava no livro. Os personagens foram bem construídos e, como grande parte da história é a narração do caderno de Grand-Duc, temos a visão das duas famílias e de todo o acontecimento. Mas por muitas vezes me perguntei se ele estaria sendo sincero em suas descrições.


No fim do livro ele volta a ganhar ritmo, embora eu tenha demorado horrores pra chegar nessa parte. Eu já confabulava algumas teorias e até cheguei perto de desvendar esse mistério, que, no fim das contas, foi muito interessante. Foi bem cansativo para mim esse 'meio' do livro. Muita descrição e muitas informações desnecessárias também. As últimas 50 páginas 'voaram'. E gostei do que li no fim, seu desfecho foi bem articulado, embora tenha me feito falta algumas informações e no que resultou algumas mortes. Mas enfim, nada que nossa imaginação não possa supor e nada que atrapalhe o desenvolvimento do resultado da investigação.
Eu recomendo que leiam e tirem suas próprias conclusões. O que para mim foi bom, para outras foi perfeito. Umas 100 páginas a menos e tudo ficaria melhor. rs Agora é aguardar o filme, já que a adaptação cinematográfica virá! E torcer para que seja muito bom!

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