Garotas e livros

Apenas um ano - Gayle Forman

Por 09:30 0 comentários



"- Não vai se perder? - ele pergunta.

Coloco um sorriso reconfortante no rosto. A verdade, porém, é que é exatamente isso o que pretendo fazer."

Pág.136

Trazendo de volta a história de Apenas um dia, Gayle Forman nos apresenta este livro na voz de Willem, e eu adoro quando o narrador é um personagem masculino. Gosto de ver o outro lado de algumas coisas, de ter a noção do que acontece de perto, já que ele narra em primeira pessoa, então acompanhamos a intensidade das emoções, das dúvidas e da incerteza de que caminhos sua vida passa, ao mesmo tempo cronológico dos fatos do primeiro livro. Então, não é bem uma continuação, já que ambos os livros terminam na mesma cena, é apenas a visão dele durante esse ano dos dois.


Em Apenas um Dia, os momentos de paixão entre Allyson e Willem foram interrompidos de maneira abrupta, lançando a jovem em um abismo de questionamentos e dor. Agora a história é contada pela voz de Willem. Sem saber exatamente o que o atraiu na garota de olhos grandes e jeito comportado, o rapaz inicia uma busca obsessiva por pistas que levem até a sua Lulu mesmo sem saber sequer o seu nome verdadeiro.
Enquanto tenta compreender o mistério que os separou, Willem se esforça para costurar relacionamentos desgastados e procura respostas para o futuro. Mais do que uma aventura de verão, o encontro em Paris significou para ele o início da vida adulta. Da mesma autora dos best-sellers Se Eu Ficar e Para Onde Ela Foi,
Apenas um Ano reúne todos os ingredientes de um romance imperdível: viagens, saudade, encontros, desencontros e amor.
Título original: Just one year
Autor: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
Ano: 2014
Páginas: 350

"É deprimente. Aquele dia, tão marcado em minha memória , é apenas mais um dia para o restante das pessoas. E, de qualquer forma, foi apenas um dia, e agora está tudo acabado."




Esta resenha contém spoilers.

Então, pra quem viu como Apenas um dia termina, com - enfim - encontro dos dois, ficou roendo as unhas e se matando de curiosidade sobre o próximo livro. Mas eu deixei para ler os dois juntos, então foi acabar um e correr pra pegar o outro, porque é nessa sensação de urgência que queremos o próximo. E, apesar de que querermos que o livro tenha o ponto de partida o fim do último, não é bem assim. Apenas um ano nos mostra a visão de Willem dos fatos que aconteceu depois que eles se separam. O que realmente houve, é aquela pergunta que não quer calar no primeiro livro, mas que aos poucos nos vem sendo revelada. Agora, Willem nos explica detalhadamente como foi que tudo deu errado. - Ou certo, levando em conta do desenvolvimento dos personagens nos dois livros por conta -dessa separação. - Allyson teve um crescimento pessoal muito bom de ser acompanhado. Depois de passar meses em depressão, porque sim, ela estava, mesmo ela não notando de fato, quando ela resolve "virar a página", tudo tende a melhorar. Embora ela não vire, realmente, as decisões dela a levam para mais perto da verdade, para perto de Willem.

"[...] Foi como se ela tivesse se entregado totalmente a mim e, de algum modo, a consequência disso foi que eu me entreguei a ela mais do que percebi que podia me entregar."
Pág. 224

Assim como ela precisou virar a página, Willem acabou descobrindo que tinha algumas decisões a serem tomadas. Verdades que precisavam ser encaradas. E é aí que entra a história dele. Um jovem que perdeu o pai há 2 anos e com o afastamento da mãe, a sensação é que não tinha mais ninguém, então largou sua casa, amigos, faculdade. Queria se afastar da perda, da dor e tentar se sentir vivo. Tentar esquecer vivendo outras coisas, indo em novos lugares, nada planejado. Apenas pegava um avião, um trem e ia. No decorrer da história vamos entendo o afastamento da mãe, que não soube lidar muito bem com a morte de Bran, e compreendemos bem mais as atitudes e jeito relaxado de Willem. Questões emocionais são fortemente abordadas neste livro. O perdão, o elo familiar, a dor da perda, o autoconhecimento, dentre tantos outros, nos deixam bastante reflexivos pois a Gayle consegue explorar tudo isso dentro de fatos práticos e comuns, coisas pela qual todos nós passados ou podemo passar. A presença de Shakespeare é também constante neste livro. Afinal, Willem é um amante da arte de atuar, e Shakespeare está presente em diversas das reflexões que a autora nos propõe. 

"Não tenho certeza de que seja possível amar e manter algo em segurança ao mesmo tempo. Amar alguém é um ato tão intrinsecamente perigoso. No entanto, é no amor que está a segurança." 
Pág. 313

Achei Apenas um dia um livro mais carregado, mais tenso, e tão significativo quanto o primeiro. A diferença é que, enquanto estávamos a todo momento na expectativa do encontro dos dois no primeiro livro, neste o ritmo desacelera, já que temos toda a história do Willem pra trilhar. Eu gostei bastante de conhecer essa versão dele, embora tenha se arrastado em excesso em algumas partes não tão significativas para a história. Mas a nossa sede de saber se tudo o que Allyson sente é de fato correspondido, deixa isso quase despercebido. De quebra, além das lembranças de todo aquele cenário lindo de Paris, a que formos apresentados no primeiro livro, neste conhecemos um pouco da Índia, México, Amsterdã, dentre outros lugares. A bagagem cultural foi uma maravilha. A autora me fez querer sair viajando e visitar os mesmos lugares descritos no livro, e acho o máximo quando um autor consegue deixar esse gostinho de "quero conhecer" na gente.

"Porque nunca encontramos as coisas quando as procuramos. Encontramos quando não as procuramos."
Acho que já falei demais, mas para quem curtiu Apenas um dia, vai querer ler este, com certeza. Porém, o fim, é aquela coisa tipo: GAYLE, CADÊ O RESTO? PELOAMOR, ME DIGA O QUE ACONTECE, ENFIM. NOVO CONCEEEEITO! CADÊ O PRÓXIMO LIVRO?????

Eu, sendo eu... exagerada. hahahahaha
Leiam e leiam muito!

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