Garotas e livros

Apenas um dia - Gayle Forman

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" - Você acha mesmo que é assim que funciona? Que a vida pode mudar de uma hora para outra?
- Acho que tudo está acontecendo o tempo todo, mas, se você não se coloca no caminho, acaba perdendo."

Eu geralmente tenho dificuldades em falar de um livro no qual eu gosto muito. Eu já tinha me apaixonado pela Gayle Forman em Se eu ficar, agora aumento a dose de amor em Apenas um dia. Foi um livro doce e cheio de ensinamentos, boas risadas, aventuras e um delicioso romance. Eu não sabia o que esperar do livro. Nem a sinopse desse livro eu li, embora ele tenha chegado faz muito tempo.



A vida de Allyson Healey é exatamente igual a sua mala de viagem: organizada, planejada, sistematizada. Então, no último dia do seu curso de extensão na Europa, depois de três semanas de dedicação integral, ela conhece Willem. De espírito livre, o ator sem destino certo é tudo o que Allyson não é. Willem a convida para adiar seus próximos compromissos e ir com ele para Paris. E Allyson aceita. Essa decisão inesperada a impulsiona para um dia de riscos, de romance, de liberdade, de intimidade: 24 horas que irão transformar a sua vida.
Apenas um Dia fala de amor, mágoa, viagem, identidade e sobre os acidentes provocados pelo destino, mostrando que, às vezes, para nos encontrarmos, precisamos nos perder primeiro... Muito do que procuramos está bem mais perto do que pensamos.
Título original: Just one day
Autor: Gayle Forman
Editora: Novo Conceito
Ano: 2014
Páginas: 382


Sabe aquela viagem de formatura do ensino médio, para outro continente, que eu e você nunca tivemos?(Bem, quase todos nós hahaha) Então, Allyson vai com a sua melhor amiga, Melanie, viajar pela Europa. Ela é o tipo de garota organizada, planejada, que só tira notas altas e que a mãe controla bastante, sabendo todos os seus destinos, horários... todos os passos, praticamente. Embora a viagem fosse um presente de formatura para ela, um tour com outros adolescentes americanos, Allyson só sente e vê mais do mesmo, e passa o dia louca pra voltar para o hotel. Até que um artista de rua, junto com sua trupe, panfletam uma peça de Shakespeare ao ar livre. E é esse artista, alto, cabelos claros, olhos escuros intensos e com esse ar misterioso, que a atraí. Porque as vezes sempre há um cara, convenhamos. Ela "foge" do tour por umas horas com a amiga e consegue assistir a incrível representação. O que não esperava era que, ao partir no dia seguinte, fosse dar de cara com o Lindo no trem. O destino era Londres, casa da tia de Melanie, onde iam passar alguns dias antes de voltar para os EUA. Mas no desembarque, entre conversas sobre querer ter ido à Paris, ele a convida: passar apenas um dia em Paris e desfrutar o máximo possível. E ela vai, com um completo e lindo desconhecido.


“Nascemos em um dia. Morremos em um dia. Podemos mudar em um dia. E podemos nos apaixonar em um dia. Qualquer coisa pode acontecer em apenas um dia.”

Pág.135


Depois que acabei de ler, vi algumas resenhas sobre o livro e algumas pessoas batiam muito na tecla: isso é loucura! Ninguém faria isso! Para as aventureiras e românticas de plantão, na vida real, a gente sabe bem como termina esse tipo de história, está nos jornais. Embora a vida possa nos apresentar maravilhas nos riscos. Vai saber? E foi uma loucura o que a Allyson (apelidada de Lulu por ele) fez. Eu não teria a mínima coragem. Sair por um país onde não conhece, não fala o idioma, com um estranho, está com pouca grana... Como assim? Então, é um romance! Para a personagem foi necessário essa quebra, essa violação à regra, essa ousadia. E nesse romance, essa aventura que ela vive em Paris é mágica. Willem, o jovem charmoso e de riso fácil, a leva a lugares incríveis e o dois se dão muito bem. Percebem que tem muito em comum, e compartilham de momentos doces. Amei cada detalhe da construção do personagem de Willem, porque ficamos o tempo todo com a pulga atrás da orelha querendo realmente conhecê-lo, mas a autora não nos dá muita chance, fazendo com que o ar de mistério perdure.

"E essa é a verdade. Posso ter apenas 18 anos, mas já me parece bem óbvio que o mundo está dividido em dois grupos: os do que fazem e os do que observam. As pessoas com as quais as coisas acontecem e o restante de nós, que meio que se arrasta sobre as coisas. As Lulus e as Allysons."
Pág.46


Esse dia, apenas um dia em que ela fugiu, mudou toda a vida de Allyson. Dois pontos que destacaria no livro são acasos, palavra bastante usada por Willem. Ele é um aventureiro, um holandês meio sem rumo certo, que aproveita as coisas da vida assim, ao acaso, da maneira que se apresentam para ela. Um espírito livre que, por um dia, transforma a vida de Allyson. Outro ponto, são as mudanças que desencadeiam na vida dela. A gente vai percebendo, no decorrer da segunda parte do livro, que muito antes daquela viagem, ela não se sentia ela mesma. Talvez Paris, ou Willem, tenha sido só o estopim, o agente que começou tudo o que ela passa a viver, ou a buscar ser. Adorei ver o desenvolvimento de Allyson mais do que qualquer coisa. É um toque, um aviso, para que nós tenhamos a chance e a vontade de nos encontrarmos. Se estivermos perdidos, incertos sobre o nosso modo de vida, sobre como temos feito as coisas ou como somos, então há sempre a opção de nos acharmos. Allyson teve que se perder antes de se encontrar. Talvez isso aconteça conosco. Talvez tenhamos que nos perder, que viver o desconhecido por um momento, talvez  só por um dia.

“Deixei as memórias me inundarem à medida que preenchia a página. Então outra. E então não estou escrevendo sobre ele. Estou escrevendo sobre mim. Sobre todas as coisas que senti naquele dia, incluindo o pânico e o ciúme, mas, acima de tudo, sobre sentir que o mundo não era nada além de possibilidades."
Pág. 236
Allyson mostra um pouco das dúvidas dos jovens (afinal, ela tem 18/19, e tratam muito como adolescente no livro, mas é jovem adulto pra mim), dos novos começos, dos amores, da faculdade e do ter amigos. A questão familiar sobre a vida dela também é abordada, assim como os primeiros passos para seu crescimento. É a evolução daquela garota do início do livro que me marcou. Gostei muito de ver esse amadurecimento. Claro que, como a grande parte desse tipo de romance, há clichês, mas nada que não faça desse livro memorável. Eu realmente amei toda a trama e a Gayle me deixou presa a ele do começo ao fim. E o que dizer do fim do livro? Só sei agradecer a Deus por ter o segundo já na minha mão, porque o coração não ira aguentar a espera. Foi uma maldade a Gayle ter deixado um final daqueles. Haja coração! 

"[...] Willem mudou minha vida. Ele me mostrou como me perder, e então eu mostrei a mim mesma como me encontrar."
Pág. 376


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