Garotas e livros

Alice no país das armadilhas - Mainak Dhar

Por 09:15 0 comentários




“Agora, todos os povos, independentes de seus antigos países, religiões ou políticas, estavam unidos por um motivo predominante – a necessidade de sobreviver ante a hordas de Mordedores.”

Eu não sabia muito bem o que esperar do livro. Não li a sinopse toda, li algumas frases pinceladas, mas sabia do que tratava o tema. A capa me chamou atenção e faz muito tempo que não leio nada com zumbis (ao menos algo tipo eles). Confesso que já faz algum tempo que não leio sinopses de livros. São casos raros, as vezes uma sinopse te revela mais do que você gostaria de saber, assim, de cara. Então embarquei numa aventura que me levou a um mundo cheio de surpresas.



O planeta Terra foi devastado por um ataque nuclear, e boa parte de sua população se transformou em Mordedores, mortos-vivos que se alimentam de sangue e, com sua mordida, fazem dos humanos seres como eles. Alice é uma jovem humana de 15 anos que mora no País das Armadilhas, nos arredores da cidade que um dia foi Nova Déli, na Índia. Ela nasceu nessa nova realidade aterrorizante e teve de aprender a se defender sozinha desde cedo.
As coisas mudam quando Alice decide seguir um Mordedor por um buraco no chão: ela descobre a estarrecedora verdade por trás da origem das criaturas e se dá conta da profecia que ela mesma está destinada a consumar — uma profecia que se baseia nos restos chamuscados do último livro encontrado no País das Armadilhas, uma obra chamada Alice no País das Maravilhas. Uma mistura incomum de mitos, teorias conspiratórias e Lewis Caroll, Alice no País das Armadilhas pode parecer mais uma história de zumbi, mas é uma metáfora instigante de como tendemos a demonizar aquilo que não compreendemos.

Título original: Alice in Deadland
Autor: Mainak Dhar
Editora: Única Editora
Ano: 2015
Páginas: 253

"Era óbvio que eles a queriam viva. Mas por qual motivo, ela não tinha a menor ideia."

O cenário é bem pós apocalíptico, um mundo onde só se vê ruínas, rastros de uma floresta devastada, miséria, e pequenos grupos alojados e sobreviventes do fim dos tempos. Conhecemos Alice, uma adolescente de 15 anos que não conheceu o "Mundo Antigo", como é chamado o mundo que existia antes da Insurreição. Ela nasceu poucos meses depois do ataque nuclear que destruiu boa parte do mundo, uma destruição de grandes proporções que devastou países e dizimou milhões de habitantes. O motivo? Um vírus que se espalhou pelo mundo e transformava pessoas em mortos-vivos, chamados de Mordedores, que viviam sedentos de sangue e carne humana. Os que eram mordidos por esses seres, se transformavam em novos zumbis em questões de segundos. 

"Eu queria que você  nos visse como somos... uma sociedade, um grupo de seres que possuem sentimentos. Diferentes dos humanos, mas não menos merecedores do direito de existir. Não animais que merecem ser caçados e exterminados."

O mundo já tinha um cenário caótico: a economia despencava, as guerras seriam inevitáveis, uma massa de mortos-vivos diante de tudo isso requeria medidas drásticas e o ataque nuclear foi a solução prática. Alguns sobreviventes viviam em assentamentos, em luta diária pela vida. O País das Armadilhas é um deles, que fica onde um dia foi Nova Déli. Alice e sua família viviam lá. Ou melhor, sobreviviam. Desde pequena aprendeu a lutar, atirar e se defender. Era assim com todas as crianças, e era a melhor. Mas, quando Alice é atraída para uma entrada secreta, perseguindo um Mordedor, ela acaba descobrindo que há muito mais do que eles imaginam. Entre revelações feitas pela Rainha dos Mordedores, uma antiga profecia é revelada, e é a menina dos cabelos loiros, a quem ela se destina. A base para essa profecia? O livro Alice no país das maravilhas

“- Quem de vocês é Alice?
- Quem está perguntando?
 - E que diferença faz isso? [...]
Alice respondeu:
 - A diferença é que a resposta vai determinar se eu vou cumprimenta-lo com um sorriso ou com uma bala nesse seu boné ridículo.”

Mais do que uma história de zumbis, o livro é uma crítica ao sistema. Os líderes e a ganância pelo poder, pelo controle e pouco comprometimento com a população e a verdade. Esse cenário apocalíptico, que pode facilmente ser conduzido pelo homem a qualquer momento. Além disso, a história nos mostra o quanto é fácil demonizar aquilo que não compreendemos. É fácil odiar, julgar e apontar erros de algo que está além dos nossos conceitos pré-estabelecidos. O livro discorrer de forma rápida e você não consegue parar de ler até a última página. Alice é uma jovem brilhante, que, apesar da pouca idade, tem maturidade suficiente para liderar grandes batalhas. O livro é narrado em terceira pessoa, então acompanhamos por vários lados tudo o que acontece e a forma como os fatos seguem para um fim inevitável.

"[...] Esse sempre foi o problema de vocês, humanos. Transformam em objeto de ódio tudo o que não conseguem compreender. É tão mais fácil detestar e destruir do que procurar entender."

Não fim, afinal, o livro é parte de uma trilogia e adorei cada página lida. Apesar das primeiras páginas serem mais descritivas, não se torna maçante. Mainak conseguiu dar leveza a uma obra cheia de ação e aventura, uma batalha pela vida, a luta pela sobrevivência e uma guerra de poderes jamais imaginados. Achei o livro incrível! Me lembrei um pouco de Jogos Vorazes nele quando vi muito de Katniss em Alice. Alice é uma jovem forte, determinada, uma guerreira que apesar de temer o que tem à frente, pisa no campo de batalha na linha de frente. E cara, adorei isso. O empoderamento da mulher foi muito massa! Sangue, tiros, mordidas e ataques. O livro passa que você nem vê, e quando se dá conta, já está naquele epílogo incrível e eu não vejo a hora de ler o próximo! Recomendadíssimo para quem curte o gênero e para quem quer ler algo diferente! A diagramação foi show, achei alguns poucos erros de digitação, nada que sequer comprometa a leitura. E a capa...
Que. Capa. Linda. Amei! 
E Ah! Achei uma palavra bem inusitada da tradução. Inusitada porque é bem nordestina, acho que muitos que lerão, não conheçam. "Arengar". Alguém sabe o que é sem precisar de dicionário? hahahaha beijos S2
[Arengar: brigar, discutir, reclamar.] 

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