Garotas e livros

[Autores] Clarice Lispector

Por 11:03 2 comentários



 “Sou tão misteriosa que não me entendo.”


Acredito que nunca falei dela aqui no blog, mas os que me conhecem sabe que eu adoro seus textos, seu trabalho e admiro a mulher forte e incrível que Clarice foi. Tudo que ela nos deixou, constitui uma preciosidade, ensinamentos e pensamentos que tento levar para vida.

Hoj deixamos uma homenagem a esta grande autora que faleceu no dia 09 de dezembro de 1977. Nascida em 10 de dezembro de 1920, na Ucrânia, aturalizou-se brasileira, e quanto à sua brasilidade, considerava-se, pernambucana. Foi uma das autoras brasileiras mais importante do século XX e a maior escritora judia desde Franz Kafka.


“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.
[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.”


o mesmo tempo que ousava desvelar as profundezas de sua alma em seus escritos, Clarice Lispector costumava evitar declarações excessivamente íntimas nas entrevistas que concedia, tendo afirmado mais de uma vez que jamais escreveria uma autobiografia. Contudo, nas crônicas que publicou no Jornal do Brasil entre 1967 e 1973, deixou escapar de tempos em tempos confissões que, devidamente pinçadas, permitem compor um auto-retrato bastante acurado, ainda que parcial. Isto porque Clarice por inteiro só os verdadeiramente íntimos conheceram e, ainda assim, com detalhes ciosamente protegidos por zonas de sombra. A verdade é que a escritora, que reconhecia com espanto ser um mistério para si mesma, continuará sendo um mistério para seus admiradores, ainda que os textos confessionais aqui coligidos possibilitem reveladores vislumbres de sua densa personalidade.

“Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”

“Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura.
O que é que se tornou importante para mim? No entanto, o que quer que seja, é através da literatura que poderá talvez se manifestar.”
“Até hoje eu por assim dizer não sabia que se pode não escrever. Gradualmente, gradualmente até que de repente a descoberta tímida: quem sabe, também eu já poderia não escrever. Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável”.

Um grande nome da literatura, um grande exemplo de mulher, uma pessoa que admiro muito. Clarice.

Informações retiradas de: Clarice Lispector 

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2 comentários

  1. Oi
    Moro em Recife, onde Clarice foi criada e tive oportunidade de estudar no mesmo colégio que ela e conhecer sua casa.
    Adoro a sensibilidade e acidez das escritas dela.
    Amei ver a homenagem! Lindo post.

    Beijinhos
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    Respostas
    1. Oie Rízia, tudo bem?
      Estudou no GP, foi? Que massa! Eu também! hahahhaha
      Mas quando estudei lá, foi na época do fechamento pra reforma, quando ele ficou na Rua do Hospício, usando o prédio de engenharia da UFPE. Por pouco não passo ao menos o 3° ano na rua da Aurora, mas foram muitas complicações e barreiras do governo na época. Legal saber disso! Indo lá no Livroterapias.
      Beijão
      Danni

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