Garotas e livros

Póvolra - Tico Sta Cruz

Por 11:56 2 comentários



Eu fiquei meio sem saber o que achar do livro. Confusa, por tudo que li, talvez. Embora o livro seja fininho, demorei horrores nele. Pensei em abandoná-lo, mas a curiosidade de saber o real motivo de tudo o que me foi apresentado me fez insistir na leitura. Tico sabe manter a curiosidade do leitor, ele tem uma escrita fluída, leve até, que já conhecia de suas postagens no Facebook. Mas a trama não foi uma das melhores, ao menos não para mim.

novela policial originalmente publicada na internet com mais de 300 mil leitores. Pólvora é o livro proibido do roqueiro Tico Santa Cruz, definido pelo próprio autor como uma narrativa "psicótica, suja e violenta". Inicialmente escrito em capítulos curtos para postar em seu blog, em poucas semanas virou fenômeno na rede. Uma leitura intensa e chocante sobre terror e caos, hipocrisia e preconceitos, política e serial killers. Mas, acima de tudo, sobre o lado mais sombrio de cada um de nós.
Pólvora
Autor: Tico Sta Cruz
Editora: Belas Letras
Ano: 2015
Páginas: 168


A história aborda tudo o que o livro promete em sua sinopse: "uma narrativa psicótica, suja e violenta". Talvez eu não imaginasse tanta violência. Não de forma tão gratuita, como vemos. Já começamos o livro com um bancário falando como ele e a enfermeira, muito psicótica, se conheceram. São duas pessoas cansadas da vida, da rotina, que apenas querem o desconhecido. A partir daí, ele relata o sexo, os roubos, as matanças... Tudo pelo simples motivo: qualquer besteira que aparecer pelo caminho. Não importava quem cruzasse o caminho, se os atrapalhasse o mínimo sequer, eles matavam. Até mesmo se não atrapalhassem, era muito provável de morrer também. Duas pessoas viajando de carro, sem destino aparente, com um mundão cheio de gente pra meter bala e quartos de hotéis para fazer muito sexo selvagem e sem moderações. Esse é todo o plano do livro.

"Minha mãe já dizia que o problema do Brasil não é o futebol, não é o carnaval, não são os políticos. O problema do Brasil é que ninguém lê. A televisão é o deus do brasileiro. Minha mãe tinha certa razão."
(Pág. 18)


Eu ficava me perguntando o por quê disso o tempo inteiro. Adrenalina, drogas, assassinatos. Alguns outros personagens cruzam o caminho deles, outros morrem (a maioria), outros ficam. Em alguns momentos não me senti confortável ao ler o livro. Lore, a enfermeira louca, em muitos momentos demonstrava certa admiração ao observar a dor de outras pessoas e isso lhe causar tesão. Bem, cada um é cada um. Mas olhar para a cruz de Cristo e com isso ficar excitada, por saber de toda dor e violência do ato da crucificação? Foi demais pra mim. Nada agradável. Não que o livro exista para te deixar confortável, muito longe disso. Vejo que toda a trama como uma crítica, uma amostra de como anda o mundo lá fora, o que vemos nos jornais, o reflexo do nosso eu interior, nossos verdadeiros e insanos desejos. Quantas pessoas não vivem toda essa loucura dentro de si? Toda essa agitação, toda insanidade?

"Para quem se acostuma com o caos, a paz é um inferno."
(Pág. 85)

O retrato que o Tico faz é para autoavaliação. Ele questiona nosso lado mais sombrio e nos choca com tudo o que mostra.  Quanto falta para apertamos o gatilho? Para termos a pólvora em nossas mãos? Eu fiquei chocada. Extremamente chocada. É tanta carga de realidade que é jogada sobre o leitor, tantas verdades ocultas, que cansa. Temas como política, religião e assassinatos em série são levantados neste livro. Com personagens semi construídos, o livro é narrado em primeira pessoa e os últimos capítulos não valeram a pena em insistir de terminar a obra. Não foi um livro que curti. Muito louco, muito insano para mim. Há quem goste muito da obra. Posso colher dela o que me fez refletir, o que me agregou. Mas apesar de gostar muito de suspense, de um thriller, esse não é do meu estilo. Se os outros livros do autor forem tão intensos e psicóticos quanto este, passo longe, obrigada. Terminei o livro só pra tentar entender o real motivo de tudo aquilo que li, de todo o sangue que derramaria se eu espremesse as páginas do livro. Mas vi apenas insensatez. Me pergunto quantos insensatos tem por esse mundo a fora.
Fico por aqui.

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2 comentários

  1. Uau, Danni!
    Nem li e já fiquei 'meio assim'
    Eu leio vez ou outra o que o Tico escreve por aí, mas acho q n gostaria mt desse livro. Pra mim já há realidade demais por ai, nos livros gosto de viajar, me encantar, fantasiar sabe?!
    Mas parece ser bem intenso (pro bem e pro mal)
    hehehehehehe

    Bjooooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Justamente, Fernanda. rsrs Já tem muita realidade por aí. A gente nem precisa sair de casa pra ver. Só ligar a TV, abrir celular rs Com livros a gente foge da realidade sempre que dá. Foi um choque certeiro demais essa crítica em Pólvora. huehuehue

      Bjsss

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