Garotas e livros

As sete irmãs - Lucinda Riley

Por 12:09 2 comentários




"A arte deve ser exibida para todos - ele dizia. - É um presente do artista para a alma. Qualquer coisa que precise ficar escondida dos olhos não tem valor."
(pág. 50)

Quando um livro envolve história real com ficção, tudo fica com um gostinho a mais pra mim. Como a própria autora diz em nota, é uma obra fictícia, mas que tem todo um embasamento na vida de figuras e momentos históricos e, como é tratado em sua maior parte aqui no Brasil, foi uma delícia ter acesso a pequenos mas importantes detalhes da nossa história.

Agora que Maia e suas irmãs perderam o pai, cada uma delas tem em suas mãos a decisão de buscar ou não a verdade sobre sua família biológica. Maia não resiste ao chamado do passado e é atraída até o Rio de Janeiro, onde, auxiliada pelo escritor Floriano, irá mergulhar em uma história quase centenária.
Nos anos 20, uma paixão devastadora entre uma aristocrata brasileira e um escultor francês é sufocada pelas convenções sociais. Uma pequena placa de pedra-sabão eternizou o amor de Izabela e Laurent, selando o destino de Maia.

A escritora best-seller Lucinda Riley mergulhou na cultura e na história do nosso país para conhecer de perto os mitos e verdades sobre a construção de um dos mais emblemáticos monumentos à nossa fé: o Cristo Redentor. O resultado dessa experiência é uma trama surpreendente e sensual, recheada de elementos exóticos. A partir do momento em que, junto com Maia, aterrissamos no Rio de Janeiro, não vamos nos separar dela enquanto não decifrarmos os segredos de seu passado.
E esse é apenas o começo da viagem.

Título original: The Seven Sisters
Livro I
Autor: Lucinda Riley
Editora: Novo Conceito
Ano: 2014
Páginas: 559

"Nunca deixe o medo decidir seu destino"


Esse livro foi meu primeiro contato com a Lucinda. Até tenho alguns livros dela aqui, mas ainda não li. Vou mudar rapidamente essa situação já que me encantei com seu jeito de nos apresentar uma história. Em As sete irmãs, conhecemos a história de Maia, a irmã mais velha, a primeira a ser adotada por Pa Salt. Aquela irmã carinhosa com todos, que sempre estava presente quando as outras precisavam. Todas elas tiveram uma vida confortável, seu pai proporcionou tudo do bom e do melhor a todas. Mas depois de sua morte, elas se dão que, na verdade, mal conheciam seu pai. Ele adotou cada uma de suas seis filhas de locais diferentes do mundo. Cada uma tinha uma personalidade diferente, sendo tão distintas uma das outras, mas ao mesmo tempo, aprendendo que elas eram uma família única. Com sua partida, ele deixa uma pista do passado de cada uma delas, caso elas queiram conhecer sua história e de onde vieram. Descobrir suas origens e talvez, quem sabe, encontrar seus pais biológicos. 

"[...] Todos nós lamentamos por nós mesmos e pela nossa perda E você não deve se sentir culpada por isso."
(pág. 83)

E é nessa jornada que Maia acaba embarcando, diretamente para o Rio de Janeiro. Com a ajuda de Floriano, um autor para quem ela traduziu seu livro do português para o francês, ela se aventura na descoberta de sua família. Tendo apenas em mãos as coordenadas de uma casa de uma família antiga e de renome do Rio e um pedaço de pedra sabão com uma inscrição meio apagada, eles vão juntos tentar desvendar de onde ela veio. Floriano é historiador e fornece uma boa ajuda à Maia. Os fatos vão sendo apresentados e grande parte do livro são lembranças de uma época distante, de 1927, quando a jovem Izabella Bonifácio surge na história, nos revelando toda a sua juventude através de cartas, que param nas mãos de Maia. Nos envolvemos de forma incrível nessa parte do livro. Ver toda a nossa cultura de quase cem anos atrás de forma tão bem trabalhada, todo o glamour da época, o desejo de ascensão de muitos,  a riqueza gerada pelo café, as famílias ricas, a construção do Cristo Redentor. Toda a história se move ao redor da construção do Cristo. Desde as primeiras tomadas de decisões, até à busca de um escultor que o faça da maneira que o arquiteto quer. E é aí que "pulamos" para Paris.

"-Bem, como um artista de verdade sabe, toda regra deve ser quebrada, cada obstáculo, vencido. Temos apenas uma vida, mademoiselle, e devemos vivê-la como escolhermos."
(pág. 205)

Em Paris há romance, há glamour, há artistas, há uma vida tão diferente da qual Izabella vive. E ela passa a amar Paris em toda sua forma. Conhecer a história da Bel é essencial para que Maia chegue à sua própria história. A autora destrincha todo um passado de paixões, perdas, sentimentos e ideais, até chegar ao que uma das filhas de Pa Salt procura, sua verdadeira história. É emocionante e muito gostoso de se ler cada momento do livro. Há essa mudança de tempo em alguns momentos do livro, entre 2007 e 1927/28, enquanto Maia, junto com seu mais novo amigo Floriano vão resolvendo todo o mistério de tantos anos atrás. Entre vinhos, feijoadas, samba e confidências, eles vão se conhecendo mais e redescobrindo a história. 

"[...] E acredito que os poderes superiores nos colocam certos obstáculos para nos obrigar a ficar completamente cientes de nossa situação. Cabe a nós tomar a decisão sobre o que fazer."
(pág. 410)
É um livro denso, que tem que ser lido com calma por conter muita informação, mas de jeito nenhum foi cansativo. Exceto por ser pesadinho, afinal, tem mais de 550 páginas. Uma história para ser degustada, uma mistura do que é fictício com fatos da nossa história, com lugares comuns, várias cidades do Rio de Janeiro, e momentos vividos por muitos brasileiros que lerão este livro. Eu demorei mais do que imaginei para acabar, justo por ele ter essa necessidade de ir mais devagar na leitura. O final foi  muito bem construído, nos deixado com uma baita pulga atrás da orelha. O próximo livro será da segunda irmã mais velha, e assim por diante, até que todas seis irmãs tenham suas vidas reveladas. O desejo de Pa Salt eram sete filhas, assim como As Sete Irmãs de Plêiades, conhecida aglomeração de estrelas do cinturão de Órion. Estou muito curiosa para descobrir quem foi esse homem, quem Pa Salt era, afinal de contas, que nunca revelava nada de concreto para suas filhas. Um pai carinhoso, que amava todas com seu jeito único. Um homem que viajou o mundo todo, trabalhando no quê, ninguém sabe ao certo. Mas ele tinha todas as referências para o passado das filhas. O que me intriga. Como? Espero que sejam cenas para o próximo livro porque tô me coçando para saber! HAHAHA

Leiam sim! Deliciem-se com esta obra!

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2 comentários

  1. Não conhecia a Lucinda Riley, mas essa trama me chamou a atenção. Vou incluir na lista das leituras futuras. ;)

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  2. Não conhecia a Lucinda Riley, mas essa trama me chamou a atenção. Vou incluir na lista das leituras futuras. ;)

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