Garotas e livros

O que há de estranho em mim - Gayle Forman

Por 12:11 2 comentários




Eu peguei esse livro já sabendo que iria gostar dele, porque Gayle não me decepciona. Sua escrita continua suave, gostosa e convidativa. Nessa história, ela nos apresenta um drama infanto juvenil que te prende do começo ao fim, o tipo de livro que se lê em um dia, tranquilamente.

Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade.

Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão.

Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.

Título original: Sisters in sanity
Autor: Gayle Forman
Editora: Arqueiro

Ano: 2016
Páginas: 244

"[...] Nenhuma das duas tem culpa de nada. A culpa é deste lugar, que usa a crueldade como terapia."


A obra se passa quase por completo da Red Rock, uma "academia" para jovens problemáticos. Pode chamar de clínica,manicômio ou algo do tipo. Garotas que apresentaram algum problema, um distúrbio ou rebeldias, são mandadas para lá por pais ingênuos, que creem que os filhos precisam ser consertados e que esse tipo de internato pode ser o melhor lugar. Brit não tem nenhum problema aparente. Aos 16 anos, ela é como qualquer adolescente. O fato de tocar numa banda de punk rock e ter o cabelo pintado com mechas rosas não deveria ser sinônimo de problema. Mas somado a baixas notas na escola e sempre em desacordo com a madastra, ela é enviada à instituição sem mesmo imaginar que essa ideia passaria pela cabeça do pai. Lá dentro há níveis pela qual cada jovem deve passar, até chegar em um patamar em que se considera apta para voltar para casa. Algumas levam meses, outras anos. Mas Brit se vê num ambiente hostil, guiado por pessoas que abusam de sua autoridade para amedrontar as jovens internas e com uma rede de "dedo-duros" por todos os lados.

"[...] Afinal de contas, eu estava chorando. E eles adoravam quando a gente chorava."



"[...] Portanto, não só eu não fazia a menor ideia de quando poderia voltar à minha vida normal, como também não sabia quem eu seria quando isso enfim acontecesse."

É nesse meio em que Brit acaba fazendo amizade com outras 4 jovens e juntas elas tentam se manter sãs. A construção de cada uma foi um tanto superficial, mas nada que atrapalhe a compreensão dos problemas de todas. Cada qual tem sua história, umas mais pesadas, umas mais simples. Casos comuns que acontecem com milhares de adolescentes, problemas que, às vezes, uma boa conversa com os pais poderia resolver. Mas na Red Rock, fazer terapia em grupo é colocar uma no centro da berlinda e fazer as outras a xingarem. Bem produtivo, não? A autora foca nos maus tratos e meio que faz uma crítica ao sistema de alguns lugares que usam métodos não éticos e desumanos para "consertar" adolescentes. Manter amizades e ficar em grupinhos não é abertamente permitido, mas as cinco amigas dão um jeito de se manterem unidas, em um apoio mútuo, e juntas vão desafiar as leis impostas e tentar mostrar ao mundo que ficar presa naquele lugar é o que as enlouquecem.

"[...] Era como se a música me curasse, trazendo de volta a pessoa que eu era, a minha autoconfiança, lembrando que o seis meses anteriores eram apenas uma exceção. A vida real era maravilhosa e, por mais distante que parecesse naquele momento, ainda existia. Eu ainda existia."

De todos os livros de li da Gayle, esse é o mais 'fraquinho', nem por isso deixa de ser bom. O que há de estranho em mim é o primeiro romance da autora, que mesmo aqui já mostrou para o que veio. Sua escrita é marcante e ela envolve o leitor em todas suas obras. Sou muito suspeita pra falar dela, que me conquistou há muito tempo, e apesar de ser um livro mais light em meio aos outros já lançados, tem seu potencial. É muito gostoso ver as meninas unidas, lutando por um objetivo em comum, que é desmascarar a instituição. Elas encontraram uma rota de fuga com esse ideal, senão teriam enlouquecido com a opressão a que são submetidas. Claro que tem romance também, e um muito fofo, aliás. A autora aborda relacionamentos familiares, amizades, causos da adolescência e um alerta à sociedade sobre esses tipos de tratamento. Para quem quer um livro tranquilo, de leitura rápida e com uma boa escrita, esse é uma ótima pedida.


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2 comentários

  1. A capa me chamou a atenção, vou anotar pra ler mais pra frente!
    Gostei mt da sua resenha, me deixou mais curiosa

    Bjoooos
    muitospedacinhosdemim.blogspot.com.br

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  2. Já ouvi falar muito da Gayle Forman tanto que acabei com "Apenas um dia" e "Apenas um ano" na minha estante de leitura. Estão aqui entre os próximos que serão lidos. Espero que eles me emocionem e sejam bons e eu possa fazer uma resenha positiva como essa de "O que há de estranho em mim", quero mesmo que a escrita dela me envolva estou precisando disso nesse momento.

    Pandora
    O que tem na nossa estante

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