Garotas e livros

A menina mais fria de Coldtown - Holly Black

Por 12:36 0 comentários

"A morte passou duas vezes por você, Tana. Não a corteje uma terceira vez."

Nós romantizamos os vampiros. Eles deixaram de ser aqueles seres tenebrosos, monstros capazes de sugar toda a sua vida pelo simples fato de que estavam com fome. Seres malignos, vis, cruéis. Ao longo do tempo, passamos a ver os vampiros com outro olhar que não aquele desprezível. Passamos a conversar com eles. A ser amiga deles, a desejar ser como eles. Foi meio assim que começou o surto vampírico. Um único vampiro romantizou a si próprio, decidiu não matar as suas vítimas, foi bebendo um pouco de um, um pouco de outro, espalhando assim o vírus. Quando os vampiros ancestrais o pararam, já era tarde. Centenas de pessoas já estavam vivenciando a sede por sangue, e bebendo de mais e mais pessoas. Um surto que mal conseguiu-se conter.

No mundo de Tana existem cidades rodeadas por muros são as Coldtowns. Nelas, monstros que vivem no isolamento e seres humanos ocupam o mesmo espaço, em um decadente e sangrento embate entre predadores e presas. Depois que você ultrapassa os portões de uma Coldtown, nunca mais consegue sair.
Em uma manhã, depois de uma festa banal, Tana acorda rodeada por cadáveres. Os outros sobreviventes do massacre são o seu insuportavelmente doce ex-namorado que foi infectado e que, portanto, representa uma ameaça e um rapaz misterioso que carrega um segredo terrível. Atormentada e determinada, Tana entra em uma corrida contra o relógio para salvar o seu pequeno grupo com o único recurso que ela conhece: atravessando o coração perverso e luxuoso da própria Coldtown.
A Menina Mais Fria de Coldtown, da aclamada Holly Black, é uma história única sobre fúria e vingança, culpa e horror, amor e ódio
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Título original: The coldest girl in Coldtown
Autor: Holly Black
Editora: Novo Conceito
Ano: 2014
Páginas: 384


Primeiro frase do livro:
"Tana acordou deitada em uma banheira"

O livro nos mostra um mundo invadido por vampiros à mostra. Eles sempre existiram, mas era reservados, quietos, o mundo não precisava saber deles. Até serem expostos e, muitos deles, gostando disso, dessa nova atenção, do status que carregam. As cidades onde os surtos foram maior foram fechadas. Muros levantados fazendo com que eles fosse "aprisionados ali". Vampiros e pessoas - sem noção de juízo - poderiam entrar, mas ninguém saia. Essas 'cidades' são chamadas de Coldtowns e nelas, as festas, alimentações e algumas matanças são apresentadas como reality show, transmitido para todo o mundo e sendo acompanhando veemente pelos humanos. Alguns se encantam com esse mundo e vão atrás dele, outros fogem dele e evitam sair a noite. Afinal, a noite eram deles.

"Nos nos cultivamos debaixo de tantas ilusões em relação a nós mesmos até que somos denudados. Estando infetados, sendo vampiros, somos sempre nós mesmos. Talvez até mais nós mesmos do que jamais fomos antes. Nós destilados. Nós cozidos até virar molho. Mas somos sempre nós, como sempre fomos, bem lá no fundo."

É neste cenário que conhecemos Tana, uma sobrevivente de um ataque. Durante uma festa, onde ela acabou dormindo dentro da banheira, por pura sorte não acabou sendo drenada como todos outros seus amigos. Um cenário de horror pairava diante dela. Todos mortos menos seu ex namorado, que foi infectado ou, como dizem, Resfriado, e estava amarrado, como se fosse servir ao banquete de algo. Junto a ele, um jovem vampiro preso a que Tana também acabou salvando daquela casa. (Sabe-se lá porque, afinal é um vampiro) No carro com seu ex, Aidem, e o vampiro Graviel, ela segue para Coldtown, até porque foi arranhada por um vampiro enquanto fugia, então também acredita estar infectada. E já que lugar de vampiros e futuros vampiros é lá...

"Ela não sabia para onde estava indo, apenas que estavam dirigindo para longe de sua antiga vida e entrando em uma versão distorcida desta gerada em um salão de espelhos." 



A ideia central da história é muito interessante. Sou fã de vampiros, meu ser sobrentaural favorito, mas o livro foi muito lento pra mim. Demorei horrores pra ler e ele só veio pegar embalo mesmo nas últimas 150 páginas. O primeiro e segundo capítulo nos fazem promessas de um livro incrível, cheio de ação, mas decai conforme lemos. Dentro da Coldtown muito pode acontecer, o perigo pode estar a cada esquina e Tana tem que lidar com muito sem surtar de vez. Eu gostei da criação do personagem dela, porque, mesmo com 17 anos é centrada e passa a ir de encontro ao que quer. Gavriel é um colírio para os olhos dela, mesmo com aquele jeito insano de quem quer matar a todo momento. O relacionamento dos dois vai melhorando conforme o passar do tempo, mas não curti muito o desfecho. Além de se manter sã e humana dentro da Coldtown, Tana ainda se preocupa com a irmã mais nova e seu pai; irmã que acha que dentro de Coldtown é tudo aquilo que ela vê na TV, festas coloridas, pessoas felizes e um mundo de diversão. Tão longe da tal realidade...

"Os olhos dele estavam fechados, os longos cílios pretos como fuligem roçavam as bochechas rosadas pelo sangue dela, os cachos negros dos cabelos pendendo na face, a boca pintada de vermelho. Em cada pedacinho ele era o anjo corrompido, longe do céu."


A história é narrada em terceira pessoa e alguns capítulos são alternados com histórias do passado, como forma de explicação para o que está ocorrendo no presente, nos permitindo conhecer mais alguns personagens. O livro tem outros personagens importantes além de Graviel e Aidam. Midnight, Winter e Valentine são alguns que surgem no decorrer e cada qual tem sua participação na trama. Além de claro, o líder da Coldtwon, Lucien Moreau, figura de destaque em todas as filmagens exibidas na TV. A leitura deste livro, embora lenta, não foi de todo ruim. Eu realmente gostei da ideia, embora algumas descrições fossem desnecessárias e faltou um quê a mais para a história ser melhor. O final não foi aquilo como eu gostaria, mas me deixou curiosa por mais da Holly. É o primeiro livro que leio dela e quero mesmo ler o próximo.


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