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[Das séries que vemos] GIRLBOSS | Livro X série

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Mês passado chegou na Netflix a série GIRLBOSS, baseada na história de sucesso de Sophia Amoruso, CEO e fundadora da Nasty Gal, a milionária empresa que ela começou a construir através de uma venda de roupa vintage no ebay. 

Titulo: Girlboss
Estreia: 21 abril de 2017
Duração: 26 min
Elenco: Britt Robertson, Ellie Reed, Johnny Simmons
Gênero: Comédia
Exibição: Netflix


A série deixou um misto de admiração pela qualidade da produção, mas te decepciona com a personalidade e atitudes da personagem principal. A Sophia na série é egocêntrica, chata e de certos comportamentos não indicados. Ela coloca seus desejos, metas e conquistas acima de tudo e de todos e faz e diz o que lhe convém. Apesar da divulgação de que a série foi baseada no livro, uma coisa não tem nada a ver com a outra.


Primeiro, o livro foi escrito pela própria Sophia e nele ela dá dicas de como ser uma girlboss. Seja você atendente de lanchonete, diretora de uma empresa ou empreendedora, ela mostra o caminho que ela trilhou e que a levou até a construção do seu império, que foi a Nasty Gal, sua marca milionária. A autora mostra seus erros e nos ensina a aprender com eles. Claro que ela tem garra, ousadia e atitude de sobra, mas nem de longe ela me pareceu a protagonista da série. Ela pode ter o mesmo perfil? Vai saber? Claro que pode.


Do outro lado, a adaptação foi "uma releitura livre de eventos verdadeiros... muito livre". O livro tem tom unicamente profissional, a série puxa para o pessoal. Não há muita coisa da vida da Sophia no seu livro, exceto aquilo que era realmente relevante para nos servir de exemplo. Então muita coisa foi acrescentada, adaptada, moldada para que a série ganhasse forma, justo por isso ela é uma releitura mais livre da Amoruso.


Assim como no livro, vemos como a Nasty Gal surgiu, a intolerância da Sophia em empregos "comuns", a falta de ânimo e disposição para trabalhar para os outros e a ideia de que ao fazer o que realmente se gosta, pode sim gerar frutos, e melhor ainda, lucros. Desde cedo independente, ela sempre fez o possível para virar e fazer acontecer. Mas ao descobrir numa venda online o que queria fazer pelo resto da vida, toda sua percepção de como trabalhar começa a mudar. Sophia sempre gostou do estilo vintage e sabia sobrepor peças, vivia em brechós atrás de roupa barata e que fosse seu estilo, então, ela já tinha algo que gostava e que era boa, foi só questão de descobrir como ganhar dinheiro com isso. E ela aprende, vai crescendo (em partes), e descobrindo que pode mais. Mesmo com os obstáculos no caminho, ela dá a cara a tapa. Talvez seja só um empurrão assim que você esteja precisando.


Tal como qualquer empreendedor, em algum momento você terá concorrentes, pessoas que podem atrapalhar seu caminho e você o deles. Lendo sobre a atitude negativa de Sophia em resenhas, me deparei com algo que me fez refletir. Vou deixar claro que nada justifica alguns comportamentos mimado, infantis e até antiéticos da protagonista, mas é importante lembrar que ela é uma empresária, e as vezes tem que se ter a manha e a malandragem de se manter em seu negócio. Nem tudo são flores e as vezes jogar sempre limpo não te faz permanecer onde você está. Ninguém é perfeito, claro, e não estou defendendo a postura dela na série, mas em alguns casos é compreensível e por vezes, até comum, um profissional arriscar de algumas formas. Passar por cima de pessoas, fazer o que bem entender em seu trabalho e ligar o f*oda-se para chefes, amigos e em momentos desnecessários, não devia ser algo a ser valorizado, sequer seguido né. Então venerar pontos negativos é bom e deve ser evitado, claro.


Apesar da personagem fugir bastante do meu agrado, a série é muito boa. Mesmo não sendo uma boa entendedora de moda, dá pra notar e admirar o quanto o figurino é espetacular, a trilha sonora também e a cultura pop mostrada é outro destaque. É uma série divertida, cheia de humor, cores e muita inspiração. Sophia tem garra e é ambiciosa, mas dá muito passo em falso pelo caminho. Eu recomendo a série sim. É divertida, inteligente e são só 13 episódios, você maratona rapidinho. Ignorem o que tem que ser ignorado e absorvam aquilo que de melhor temos a aprender com a série. Afinal, não temos que fazer isso com tudo? 😉


Em tempo: A Nasty Gal está em processo de falência e foi comprada por $20 milhões para a empresa britânica de multimarcas Boohoo.com em fevereiro deste ano. Sophia Amoruso não está mais no comando da empresa. A falência não foi novidade e é até muito comum nos Estados Unidos, assim como outros grandes e-commerces também falharam no decorrer dos anos.  (Para mais informações acesse elle)



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