Garotas e livros

O terceiro testamento - Christopher Galt

Por 11:53 0 comentários

"- Não sei não, John, mas algo de muito esquisito está acontecendo por aí. Uma peste ou coisa assim Uma peste da mente."

O mundo está entrando em colapso, as pessoas começam a ter visões de coisas que já aconteceram, com pessoas reais, com sensações reais, não ilusões como em sonho, mas como se você fosse teletransportado para um outro momento e lugar, tudo acontecendo somente em sua cabeça. Imagina ver a Joana D'Arc ser queimada na fogueira e vivenciar esse momento a ponto de tirar foto com seu celular? Ou ver os Vinkings chegando na sua vila e ir destruindo tudo à sua volta (Olá Ragnar! ❤) Bem louco né? 

"- E se eu existir apenas na mente de vocês? - Olhou-o com sinceridade pela primeira vez, aalgo se manifestou com nitidez em sua expressão. - Nunca pensaram nisso? Nunca lhe ocorreu que tudo e todos ao redor estão dentro de sua mente?"


O mundo parece estar enlouquecendo!
Em toda parte, as pessoas começam a ter visões. Um adolescente francês assiste Joana D'Arc ser queimada na fogueira, e até tenta tirar uma foto com o celular, e a presidente dos Estados Unidos tem visões de seus antecessores dentro da Casa Branca. Ninguém sabe se essas misteriosas aparições são uma espécie de alucinação coletiva, uma doença virótica causada por bioterrorismo ou se são sinais do Apocalipse. Ocorrem suicídios em massa em várias partes do mundo, e o psiquiatra e neurocientista John Macbeth, à frente de um projeto para criar uma inteligência artificial autônoma, busca freneticamente uma resposta antes que seja tarde demais. Ele descobre que a verdade por trás de tudo pode mudar os rumos da humanidade para sempre. E até custar a sua vida. Uma história eletrizante que o fará questionar sua perspectiva da realidade. E até mesmo a sua sanidade.

Título original: The third testament
Autora: Christopher Galt
Editora: Jangada
Ano: 2017
Páginas: 414

Primeiro trecho do livro:
"O ar no Mainframe Hall parecia artificial: filtrado, limpo, a temperatura só variando numa fração de grau; sem brisa. Todos, reunidos diante da pessoa responsável pelo Projeto, observavam as imagens virtuais."


Nunca mais um livro tinha me deixado tão inquieta. Eu não leio muita ficção científica - por enquanto. Já comprei vários livros do gênero e pretendo me jogar neles cada vez mais. Esse livro porém, nos dá uma outra perspectiva do pensamento e da história humana, do quanto a vida pode ser complexa e como nosso cérebro é capaz de coisas que nos deixariam de queixo caído. É fantástica a maneira que o Galt, pseudônimo do conhecido autor britânico de ficção policial, Craig Russell, nos passa essa história. Se tem uma coisa que O Terceiro Testamento faz com você, é te fazer questionar sobre a realidade da sua e da nossa existência.

"Não era ela, era o mundo: algo estava ocorrendo, e não tinha nada a ver com seus problemas de memória. Alguma coisa estava acontecendo de verdade com o mundo à sua volta..."

Este livro não traz uma leitura simples, acho que passei quase um mês para lê-lo, mas ia intercalando com outros livros mais fluídos. A trama é algo a que você deve dar atenção e realmente tentar entender todo o questionamento e teorias, e isso me faz ler mais devagar. Ele é narrado em terceira pessoa, tendo como principal personagem o psiquiatra John Macabeth, é o que mais aparece nos capítulos e o que está mais central em todo o acontecimento, e vamos intercalando com outros personagens que vivem a experiência dos casos alucinatórios ou até mesmo que fazem parte do núcleo central do problema. No decorrer da obra nos deparamos com várias passagens e diálogos científicos repletos de termos técnicos. Muitos levantamentos sobre o cérebro humano, sinapses, teorias da evolução, história, biologia, química e física. Nada que você não deixe de compreender e até mesmo aprender mais um pouco sobre os assuntos, mas como a primeira metade do livro é coberta deles, talvez tenha sido esse o fator que me fez demorar mais com a leitura. Mesmo com capítulos curtos, o autor exagera em algumas descrições e aprofundamentos que tornam um pouco cansativo.

"[...] De novo se deu conta de que não estava surpreso: nada fazia sentido, mas tudo, de algum modo, era o que ele esperava que fosse."

Os personagens do livro são pessoas de países diversos, cada qual com sua vida, seu trabalho, seu ambiente de convivência, mas que tem um único fator em comum, a mudança que vem ocorrendo no mundo e nas pessoas ao seu redor vivenciado essa nova realidade. A mudança começa aos poucos. Começaram com pessoas de olhares vazios, semblantes inexpressivos, confusos e inquietos. Nunca soube-se ao certo como ou o que começou, se havia um motivo, um problema, um vírus. Algo que desse uma explicação a esses sintomas. Seguimos com a avaliação profissional de John Macabeth somando-se às suas experiências reais e os demais casos dos outros personagens, tendo todo um panorama das diversas formas em que ocorre com diferentes grupos de pessoas. Conseguimos enxergar tudo de forma ampla, mas não conseguimos elaborar uma resposta para tudo isso. 

"Ontem à noite meu marido me trouxe uma xícara de café em meu escritório - disse Margaret Freenam, que tinha permanecido em silêncio até o momento. - Meu marido morreu há três anos, doutor Macabeth. Todos nesta sala tiveram percepções suspeitas na última semana. Se for um vírus, todos estamos infectados."

Apesar de ter muitos personagens, o enredo não deixa a desejar e apresenta o suficiente de cada um deles para que a gente entenda onde tudo quer chegar. O que a história nos deixa é o questionamento do que é real, se o que vivemos agora é de fato a realidade ou apenas um truque de nossa mente. Será mesmo que tudo isso é o presente? Ou somos apenas fruto da nossa imaginação? Já ouviu aquela frase: "Se não há um mundo à nossa volta, inventamos um"? De fato, podemos inventar todo um ambiente, toda uma história, cultura e eventos? Como afirmar que a sua verdade é única e a correta? Toda essa tecnologia, todos os avanços, tudo novo que aparece a cada dia... Até onde iremos chegar? Até que ponto podemos ter conhecimento da vida e do mundo? A todo o momento o leitor questiona tudo o que está acontecendo e quanto mais nos aproximamos do final, mais clara e fluído fica a obra. O livro é divido em três partes e nas duas últimas a gente só quer devorar para chegar ao tão esperado fim e entender as coisas. E o final é realmente épico. 

"Eu sei a verdade, reconheceu para si mesmo. Não posso voltar ao que era porque sei a verdade."

Não podia sequer imaginar um desfecho para este livro e o Galt soube apresentá-lo com maestria. Já assistiu Matrix, não é? Basicamente um clássico. E Black mirror? Tenta agora fundir as duas coisas. Vai ficar bem maluco, confuso e muito perto do que pode se tornar real. É algo perto disso que o livro nos mostra. É uma leitura para poucos, nem todo mundo vai gostar, ou podem desistir no começo. Se eu puder te dar um dica é NÃO DESISTA. Continue lendo, continue essa jornada em que o autor nos leva. É inquietante, é emocionante e por que não poder ser real? Afinal, será que nosso futuro já não aconteceu? 


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