Garotas e livros

Boneco de pano - Daniel Cole

Por 17:12 0 comentários

Me responde uma coisa... - falou. - Se você é o Diabo, então eu sou o quê?

Acho que muitos sabem o quanto sou apaixonada por literatura policial e quando esse livro foi lançado fiquei super curiosa pra conhecer a história. Imagine um corpo e seis vítimas diferentes? Um boneco humano e horrendo formado por partes distintas de seis pessoas e mais a promessa de futuras vítimas. Como não querer desvendar esse mistério?


VOCÊ ESTÁ NA LISTA DE UM ASSASSINO. E ELA DIZ QUANDO VOCÊ VAI MORRER.
O polêmico detetive William Fawkes, conhecido como Wolf, acaba de voltar à ativa depois de meses em tratamento psicológico por conta de uma tentativa de agressão. Ansioso por um caso importante, ele acredita que está diante da grande chance de sua carreira quando Emily Baxter, sua amiga e ex-parceira de trabalho, pede a sua ajuda na investigação de um assassinato. O cadáver é composto por partes do corpo de seis pessoas, costuradas de forma a imitar um boneco de pano.
Enquanto Wolf tenta identificar as vítimas, sua ex-mulher, a repórter Andrea Hall, recebe de uma fonte anônima fotografias da cena do crime, além de uma lista com o nome de seis pessoas – e as datas em que o assassino pretende matar cada uma delas para montar o próximo boneco. O último nome na lista é o de Wolf.
Agora, para salvar a vida do amigo, Emily precisa lutar contra o tempo para descobrir o que conecta as vítimas antes que o criminoso ataque novamente. Ao mesmo tempo, a sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf, e o detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele – e com seu passado – do que qualquer um possa imaginar.
Com protagonistas imperfeitos, carismáticos e únicos, aliados a um ritmo veloz e uma deliciosa pitada de humor negro, Boneco de Pano é o que há de mais promissor na literatura policial contemporânea.

Título original: Ragdoll
Autora: Daniel Cole
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Páginas: 336

Primeiro trecho do livro:
"Samantha Boyd passou por baixo do cordão de isolamento da polícia e olhou para a estátua da Justiça que se empoleirava o alto do Old Bailey, o infame e centenário tribunal no centro de Londres."

A história, que para mim teria tudo pra dar certo, foi bastante cansativa. Tirando as primeiras páginas, que é cheia de promessas de muita adrenalina, demorei demais pra entrar no ritmo da trama e ela só começa a ganhar minha verdadeira empolgação de novo bem perto do fim. Wolf é o detetive fodão que lidera o caso, largado, temperamental e com um passado complicado na polícia. Desde as primeiras páginas, vamos sendo informados que ele é o personagem central, afinal, há uma lista com próximas vítimas e seu nome é o último deles. Quem melhor para descobrir um assassino do que seu último possível alvo? A investigação que se trata de um corpo costurado com seis partes de pessoas diferentes foi chamado "Boneco de Pano" e teve um desenvolvimento lento para mim, detendo-se muito na busca de informações no que na ação, de fato. Uma coisa vai levando à outra e as pistas vão levando por outros e longos caminhos, o que não me deixou muito animada.

"É muito mais raro que o assassino escolha uma pessoa em particular como interlocutora, seja dentro da polícia ou fora dela. Mas quando isso acontece... quando isso acontece os motivos são sempre pessoais. [...] Provavelmente o nosso assassino reconhece Wolf, e apenas ele, como um adversário à altura."

Preciso dizer que o autor soube mesmo assustar e impressionar em algumas mortes. Sim, ele me deixou admirada (e acho que isso soa um tanto macabro, mas estamos falando de ficção, certo? Certo.) em muitos momentos com a destreza e a capacidade de usar mínimos detalhes para fazer grandes estragos. Ele não poupou criatividade para mostrar que não era um simples assassino com qual eles estavam lidando, mas um serial killer que realmente sabia o que estava fazendo. Como em todo grande caso como este, o barulho que a impressa fazia era enorme, a cobrança pela resolução e a corrida contra o relógio antes que a próxima vítima fosse feita só aumentava a pressão dentro da delegacia, principalmente quando a ex mulher de Wolf, Adnrea, apareceu à frente das câmeras com algo que o próprio assassino enviou.

"[...] Talvez as pessoas "normais" tivessem mais controle sobre as próprias emoções. Talvez aquilo que ele considerava normal não fosse tão normal assim para o resto do mundo."


É uma verdadeira corrida na busca por pistas do que as vítimas tem em comum, tanto as do boneco, quanto a da lista previamente dada. Descobrir a ligação que eles podem ter e enfim chegar ao assassino é todo o mover do livro, que na trama dura em média umas duas semanas. Dentre todos personagens, os que se destacam mais são os detetives Wolf e Emily Baxter, o novato, Edmunds e Andrea. Além de estarem mais intricados com o personagem central, suas histórias são mais exploradas que a de outros personagens e ainda nos passam um quê de realidade. Um policial que passou um tempo afastando por conta de crime de agressão, ou uma pessoa com uma família crescendo e pouco tempo para estar em casa, outra lidando com vícios mais comuns do que se imaginam, outros tentando crescer na carreira, mas afinal, a custa de quê? Ou seria quem? 

"- Quando você está nesse ramo há tanto tempo quanto eu, nada te surpreende mais. Apenas entristece. Se tem uma coisa que aprendi na vida foi isto: se você continuar sacudindo uma pessoa, vai chegar uma hora que ela vai sacudir você de volta."

Apesar de lento e ter menos suspense ou ação do que gostaria, o final me deixou intrigada. Sim, eu esperava mais, mas ao mesmo tempo foi algo não tão comum, fugiu um pouco do padrão e tornou a coisa interessante. Tão interessante que o autor deixou uma janela aberta. Há boatos ((anseios e desejos de alguns) - boatos verídicos) de que haverá continuação. Os livros serão do nosso polêmico Wolf, ou Detetive William Fawkes, e esse é o primeiro de uma trilogia. Não sei se embarco no próximo livro, mas o final aguçou minha curiosidade a ponto de querer arriscar.

"- Como é que uma pessoa pode ser correta e ao mesmo tempo fazer coisas horríveis e ilegais?"

Para quem curte ficção policial, é um livro bem escrito, com uma boa ideia, porém lenta e sem muitos alardes, não me fez passar a noite em claro, vamos assim dizer. E é aquela história, não é? Eu não gostei tanto, há quem amou demais o livro. Então leiam sim. A edição está impecável, a editora Arqueiro continua trazendo essas perfeições para nossas mãos! O livro divide muitas opiniões, então quero conhecer a de vocês!


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