Garotas e livros

O sol também é uma estrela - Nicola Yoon

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"Claro, mas porque não existem mais poemas sobre o sol? O sol também é uma estrela, e é a mais importante para nós."

Eu preciso dizer a vocês que a Nicola Yoon é incrível. O sol também é uma estrela é seu segundo livro e o que eu eu vou dizer é a mais pura verdade: quanto mais ela escrever, mais eu vou comprar! Ela consegue fazer a vida parecer mais colorida, ela distribui amor em suas obras de uma forma simples e única. São vidas comuns, com jovens comuns, com pais comuns e sentimentos a flor da pele. São vidas que poderiam ser a minha ou a sua, e ela faz disso uma trama incrível. Uma jamaicana que vive nos EUA ilegalmente conhece um coreano-americano e tudo acontece. Poderia uma mistura mais inusitada e ao mesmo tempo tão linda? 

Natasha: Sou uma garota que acredita na ciência e nos fatos. Não acredito na sorte. Nem no destino. Muito menos em sonhos que nunca se tornarão realidade. Não sou o tipo de garota que se apaixona perdidamente por um garoto bonito que encontra numa rua movimentada de Nova York. Não quando minha família está a 12 horas de ser deportada para a Jamaica. Apaixonar-me por ele não pode ser a minha história.
Daniel: Sou um bom filho e um bom aluno. Sempre estive à altura das grandes expectativas dos meus pais. Nunca me permiti ser o poeta. Nem o sonhador. Mas, quando a vi, esqueci de tudo isso. Há alguma coisa em Natasha que me faz pensar que o destino tem algo extraordinário reservado para nós dois.
O Universo: Cada momento de nossas vidas nos trouxe a este instante único. Há um milhão de futuros diante de nós. Qual deles se tornará realidade?

Título original: The sun is also a star
Autora: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Ano: 2017
Páginas: 288

Primeiro trecho do livro:
"Carl Sagan afirmou que, se você quiser fazer uma torta de maçã desde o início, precisa primeiro inventar o Universo."

Natasha mora em Nova Iorque há 10 anos e depois que o visto deles para turismo acabou, sua família ficou. Era o plano, era como muita gente vivia e ainda vive, de maneira ilegal. Mas quando por uma besteira cometida pelo pai eles recebem o aviso de deportação, como abandonar tudo? Como deixar a escola, os amigos, a vida que sempre teve para voltar ao seu lar que não conhece mais? E a faculdade que planejou? Ela é prática, é cética, não acredita em destino, ama ciência. Mas tudo na sua vida está prestes a mudar.

"Ninguém quer acreditar que a vida é aleatória. meu pai diz que não sabe de onde bem meu ceticismo; mas não sou cética. Sou realista. É melhor ver a vida como ela é, e não como a gente quer que seja. As coisas não acontecem por algum motivo. Simplesmente acontecem."


"[...] É isso que me deixa cautelosa. Para onde foram todos aqueles sentimentos. As pessoas passam a vida inteira procurando o amor. Mas como a gente vai confiar numa coisa que pode acabar tão subitamente quanto começa?"

Daniel é coreano-americano, mora com seus pais em Nova Iorque, que foram aos EUA em busca de melhores condições de vida. Tem uma entrevista para a faculdade de medicina porque os pais querem que seja um médico de sucesso, querem uma vida melhor para os filhos. Ele é irmão de Charlie, com quem não se dá bem. Charlie é um completo idiota. Ele ama poesia, acredita em Deus e no destino, não sabe ser quer ser médico, sabe só que ama escrever e que não quer decepcionar os pais. Mas tudo na sua vida está prestes a mudar. 

"Ela chega perto outra vez e eu vou em frente, porque parece que é assim que eu sou com essa garota. Talvez parte de se apaixonar por alguém também seja se apaixonar por si mesmo. Gosto de quem sou com ela."

A vida é estranha, sabemos disso. Coloca coisas e pessoas em nosso caminho que jamais esperaríamos. O caminho de Natasha e Daniel acaba se cruzando e é divertidíssimo ver como os dois vivem um único dia. Talvez o dia mais longo da histórúa. É o ultimo dia de Natasha nos Estados Unidos e tanto ela quanto Daniel tem assuntos importantes a resolver. Ele acredita que encontrá-la foi culpa destino. Para ela não passa de uma coisa que simplesmente aconteceu. Passam o dia para se conhecer e menos tempo ainda para se apaixonar. Os diálogos dois dois são inteligentes, fofos e cheios de humor. É impossível não sorrir com o ceticismo dela, tendo sempre uma explicação científica para tudo, uma pequena Einstein que há muito tempo deixou de amar de verdade e não acredita mais nisso. Ao contrário dela, Daniel é poeta, e isso já deveria explicar tudo. Ele é um romântico e apaixonado, capaz de querer provar cientificamente à garota que acabou de conhecer que é possível fazer alguém se apaixonar em pouco tempo.

"Não importa se quis dizer ou não quis. Essa é a vida que você tem. Não é temporária, não é de mentirinha e não há como refazer."

O que a autora nos mostra é que a vida é feita por uma cadeia de decisões, e decisões que podem afetar a vida de outras pessoas. Ela nos apresenta, de forma simples e delicada, que uma coisa acaba levando à outra e como uma ação ou palavra pode mudar tudo, nem sempre da forma como a gente quer ou espera. A diferença que podemos causar nos outros só pelo simples fato de ouvir e se importar, ou de deixar nossos problemas de lado e agir em prol de outros. As explicações e deduções dos dois personagens para tudo isso só servem de complemento. Há uma sintonia deliciosa entre eles e todos os pontos sobre amizade e paixão foram bem trabalhados. Assim como a família e aspectos da cultura de ambos. Uma das coisas que mais gostei foi o livro ter sido intercalado entre Natasha, Daniel e o Universo (bem, ou quase isso). Cada um dos dois com seu ponto de vista e o terceiro nos dando uma visão que tem sobre algum outro personagem, ou um fato histórico, ou uma explicação científica. A gente acaba aprendendo muito durante a trama, o que foi algo maravilhoso.

"Dizemos a nós próprios que existem motivos para as coisas que acontecem. Mas, na verdade, só estamos contando histórias para nós mesmos. Inventando. Elas não significam nada."

Nicola sempre foge daquilo que é padrão, sempre nos surpreende com o nível de realidade dos personagens, eles são palpáveis, são comuns e ao mesmo tempo não são. Trabalhar estereótipos é algo que gosto bastante de ver na literatura, como nos deixamos influenciar por isso ainda, como precisamos evoluir... A diversidade com que a autora sempre trabalha é MARAVILHOSA. E a cada livro eu tenho amado mais! Como é bom ver uma protagonista negra tão incrível! Porque não somar a isso um protagonista coreano? O contraste cultural, a soma de novas informações, os capítulos curtos e os diálogos fluídos me fez devorar o livro. E ela me surpreende no final. É lindo, é emocionante, é encantadoramente fofo. É um young Adult leve, divertido e que te deixará com um sorriso bobo no rosto. 

"[...] Pelo jeito - ao menos segundo esses cartazes -, apenas certos tipos de cabelo são permitidos em reuniões de diretoria. Até minha mãe é culpada por esse tipo de sentimento. Ela não ficou feliz quando decidi usar meu cabelo afro, dizendo que não parece uma coisa profissional. Mas gosto do meu afro grandão. Também gostava quando meu cabelo era comprido e relaxado. Fico feliz por ter opções. Elas são minhas."

Li Tudo e todas as coisas, primeiro livro da autora, no ano passado (lançado pela Novo Conceito na época) e foi puro amor também. Um tão lindo quanto o outro e eu já fico aqui querendo o próximo. Que a Nicola continue trazendo essa representatividade para nós (e sei que vai), e que eu possa continuar me apaixonando por cada livro escrito. Um super obrigada à Editora Arqueiro por trazer essa autora maravilhosa. Por favor, quando houver um próximo livro dela, tragam o mais rápido que puderem! ❤ A edição está perfeita e a capa é a mesma da original, que tem esse trabalho feito em prego e linhas lindo! É mais um favorito. Recomendo muito!



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