Garotas e livros

A mulher na janela - A.J. Finn

Por 16:06 0 comentários

"[...] Bisbilhotar é como fotografar a natureza: a gente não interfere no que está vendo."

Fui surpreendida com o manuscrito do livro aqui em casa e mais surpresa ainda fiquei com a história. Tinha visto algo sobre o livro, mas não fazia ideia do quanto ele podia ser bom. E ele é incrível! É um thriller psicológico que te prende do começo ao fim, te fazendo duvidar o tempo todo do que pode ser real.

"Encarcerada em casa. Afastada da vida."
Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e... espionando os vizinhos. Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir. Mas será que o que testemunhou aconteceu mesmo? O que é realidade? O que é imaginação? Existe realmente alguém em perigo? E quem está no controle? Neste thriller diabolicamente viciante, ninguém – e nada – é o que parece. "A Mulher Na Janela" é um suspense psicológico engenhoso e comovente que remete ao melhor de Hitchcock.

Título original: The Woman in The Window
Autor: A. J. Finn
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Páginas: 352

Primeiro trecho do livro:
"Falta pouco para que o marido dela chegue em casa. Dessa vez, vai pegá-la no flagra."

Anna Fox vive numa casa enorme na companhia de seu gato, vários comprimidos e longos dias regados a taças de vinho e conversas com estranhos na internet. Há meses vive trancada em casa, sem conseguir sair para nada, vítima de um transtorno de ansiedade e medo de lugares em que se sinta insegura. Sua casa é seu santuário e o único lugar onde consegue estar; colocar os pés na calçada está fora de questão. Separada do marido e da filha, sem mais trabalhar em seu consultório, ela dá assistência a pessoas online que passam pelo mesmo problema que ela.

"E novamente olho o para o meu reflexo na televisão. Cercada de almofadas por todos os lados e embrulhada no meu roupão sem graça, mais pareço um fantasma. Pois é desse jeito que me sinto: como um fantasma."

Mas ficar pela internet e assistir filmes antigos não é suficiente pra passar os dias. Espiar a vida dos seus vizinhos tem sido sua grande ocupação. Ela conhece todas as famílias, que horas saem, quando chegam, onde trabalham, que livro estão lendo, quem traiu quem e todos os detalhes que as pessoas pensam manter dentro de seus lares. Na companhia de sua câmera (com um ótimo zoom, aliás) e muito tempo de sobra, ela se mantém atualizada sobre o que acontece em outras famílias. Até que os Russells se mudam para uma casa do outro lado e ali ela enxerga uma família perfeita. Pai, mãe e um filho adolescente, muito parecido com a vida normal que teve até um certo tempo atrás. Mas a vida perfeita que levavam começa a mudar aos olhos de Anna quando ela, entre uma espiada e outra, vê algo que muda tudo e toda sua vida.


"Com uma taça numa das mãos e a Nikkon na outra, me sento num canto do escritório de onde posso ver tanto a janela que dá para p sul quanto a que dá para o oeste. Hora de bisbilhotar a vizinhança. Ou de fazer o meu controle de estoque, como Ed gosta de dizer."


Aí é que entram os problemas, por quê: a protagonista não é confiável. Ela tem lapsos de memória, uma certa paranóia, síndrome do pânico, bebe pra caramba, toma uma bateria de remédios que tem diversos efeitos colaterais (dentre eles alucinação) e nada que firme todas suas teorias. Bem, será mesmo? Como o livro é narrado em primeira pessoa, tudo que vemos é através dos olhos de Anna, são os pensamentos e emoções dela, que são confusos, mas para ela, s]ao todos verdadeiros. Ela é uma mulher perdida nela mesma, mas ainda assim uma guerreira por lidar diariamente com toda sua situação.

"Apoiando as mãos na parede, baixo a cabeça sob a água e deixo o rosto sumir na caverna dos cabelos. Algo está acontecendo comigo, através de mim, algo perigoso e novo. Uma planta venenosa que já criou raízes e agora está crescendo, se expandindo, enroscando-se na minha cintura, apertando meus pulmões e meu coração."


"A constatação parece quebrar feito uma onda sobre o meu corpo, limpando e purificando tudo, deixando para trás apenas alguns dedos de lodo que apontam para o mar. Eu estava enganada."

Eu sempre tive dificuldade de escrever sobre algo que goste muito, e foi assim com essa resenha. O livro tem mais personagens do que só a família de Anna e a família vizinha, mas além deles, o detetive Little e o inquilino dela, os outros não tem tanto destaque. A trama é intensa, mas ao mesmo tempo fluída. Os personagens foram muito bem construídos e a trama foi toda amarrada. No decorrer das páginas ela vai nos contando como ela chegou neste estado de reclusão e como toda sua vida foi mudada com o passar do tempo. Não tem como o leitor não se compadecer quando toda sua vida e seus segredos vem a tona e toda sua história passa a ser explicada. Apesar da tensão de tudo, é impossível não dar boas risadas com ela em alguns momentos.

"Eu fico ali na escuridão do quarto, sozinha até a medula dos ossos, sentindo frio, sentindo medo, ansiando por alguma coisa que não sei muito bem o que é."

É um thriller fascinante, isso eu posso dizer com certeza. A cada capítulo uma emoção diferente que não te faz querer soltar o livro. O trabalhar com a sanidade - e por vezes a falta dela - da personagem e nos fazer questionar a todo momento foi uma ótima jogada. E que final foi esse? 😱 Alguns pontos a gente consegue ir ligando pelo caminho, mas o fim eu jamais imaginei! Achei extraordinária a maneira como o autor conduziu toda a trama até aquele momento. Foi arrepiante! Espero ansiosa por próximos livros do autor.

    

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