Garotas e livros

Uma proposta e nada mais - Mary Balogh

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Belo um dia um lorde diz para os amigos que quer um noiva e sendo ele quem é (ex soldado, com marcas profundas de guerra, semblante sempre sério e assustador e, mesmo rico, um homem simples que preferia viver no campo) acha difícil a ideia de alguma dama aceitar seu pedido. Então, ele e os amigos apostam que, para a primeira pessoa que encontrar na praia ele irá falar o tamanho de sua riqueza e a pedir em casamento. E passeando por aquela praia particular e SEMPRE deserta, não é que ele esbarra em alguém?

"O medo deve ser dasafiado, foi o que descobri. Ele fica poderoso quando permitimos que nos domine."




Primeiro livro da série Clube dos Sobreviventes, Uma Proposta e Nada Mais é uma história intensa e cativante sobre segundas chances e sobre a perseverança do amor.
Após ter tido sua cota de sofrimentos na vida, a jovem viúva Gwendoline, lady Muir, estava mais que satisfeita com sua rotina tranquila, e sempre resistiu a se casar novamente. Agora, porém, passou a se sentir solitária e inquieta, e considera a ideia de arranjar um marido calmo, refinado e que não espere muito dela.
Ao conhecer Hugo Emes, o lorde Trentham, logo vê que ele não é nada disso. Grosseirão e carrancudo, Hugo é um cavalheiro apenas no nome: ganhou seu título em reconhecimento a feitos na guerra. Após a morte do pai, um rico negociante, ele se vê responsável pelo bem-estar da madrasta e da meia-irmã, e decide arranjar uma esposa para tornar essa nova fase menos penosa.
Hugo a princípio não quer cortejar Gwen, pois a julga uma típica aristocrata mimada. Mas logo se torna incapaz de resistir a seu jeito inocente e sincero, sua risada contagiante, seu rosto adorável. Ela, por sua vez, começa a experimentar com ele sensações que jamais imaginava sentir novamente. E a cada beijo e cada carícia, Hugo a conquista mais – com seu desejo, seu amor e a promessa de fazê-la feliz para sempre.

Título original: The proposal
Autora: Mary Balogh
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Páginas: 271
Adicione: Skoob

Primeiro trecho do livro:

"O tempo bem que poderia estar melhor. Nuvens pesadas atravessavam o céu, empurradas por um vento forte, e a chuva que ameaçara cair o dia inteiro finalmente havia começado a desabar. O mar estava escuro e agitado. Uma umidade gelada invadia a carruagem, e seu único passageiro ficou grato por estar usando um sobretudo grosso."


Eu sempre gostei de tramas de época. O galanteio, o charme silencioso, a postura de muitos (não todos) em relação à conquista, as vestes (Ah, acho fofo os vestidos, vai!), as palavras e expressões que ninguém mais usa... Essas coisas! 😛 Os romances são cheios de tudo isso e um pouco mais. O que me encanta nas histórias que as autoras trazem é que, além de toda coisa fofa tem a comédia e a sensualidade. É o tipo de livro que sempre nos arranca suspiros e boas risadas, acredito não ter lido algum que não me fizesse sentir essas coisas.

"As vezes a vida é complicada demais para que haja uma resposta simples para uma pergunta simples."

Com Mary Balogh foi o mesmo. O livro tem seu lado cômico. Uma jovem dama que precisa passar uns dias de repouso numa casa repleta de estranhos por ter sofrido um acidente depois de passear pela propriedade alheia. O que era apenas um longa visita a sua amiga (diga-se de passagem, muito chata), acabou sendo o momento em que conheceria pessoas tão diferentes, mas ao mesmo tempo com algo em comum: todos eles haviam tido perdas para a guerra. Fosse de si próprios ou de alguém próximo, eles sentiram e sofreram essa dor em comum, um grupo de amigos que se reunia anualmente para estreitar os laços e, quando preciso, compartilhar suas dores. Gwen sentiu-se uma invasora daquele momento que era só deles, mas incapacitada de se locomover, passou a fazer parte do grupo de sobreviventes, mesmo que temporariamente.

"Há muita coisa de que me arrependo na vida, mas não adianta, não é? Neste momento, estamos exatamente no ponto ao qual nos dirigimos desde o nascimento e com nossas experiências de vida, embora pudéssemos ter tomado milhares de decisões no meio do caminho. A única coisa sobre a qual temos algum controle é a próxima decisão que tomaremos."

Mas depois de ser resgatada por Hugo, o conde Trentham, as coisas não foram mais as mesmas. O seu jeito fechado a assustava, mas também a intrigava. Sua companhia na casa dos sobreviventes despertou nela algo que há muito estava adormecido. Viúva há anos, Gwen se fechou para o amor e para a vida, e aparentemente não era aquele grosseirão lindo e carrancudo que a tiraria desse estado. Ou seria?

"Mas seu coração batia com força, tomado por algo parecido com empolgação; E expectativa. Sentia-se viva pela primeira vez em muito tempo."

Há sempre aquela impaciência minha nesses romances, porque é um vai-e-não-vai, pode-e-não-pode ou um "ela merece algo melhor que eu"... essas coisas. Mas quando ele finalmente decide que pode ser digno dela, que quer mostrar que os dias que passaram junto ao clube dos sobreviventes mexeram com ele, ele tenta cortejá-la, mas sem muito sucesso. É engraçado como ela se vê diante dessa situação e como ela lida com esse quero-não-quero dele. Que é chato também. Ô homem indeciso! Mas no fundo a gente entende, a gente sabe que vai dar certo e torce por mais momentos dos dois.

"A vida era um pouco como caminhar numa corda bamba fina e desfiando, sobre um abismo profundo com rochas pontiagudas e alguns animais selvagens esperando no fosso. Era perigoso, e empolgante."


O livro é também cheio de momentos reflexivos dos personagens quando eles tem que seguir em frente e lidar com seus próprios temores. Cada um deles passou por alguma fase em que teve que se reerguer e lidar com a situação que lhe era apresentada e como são profundas algumas feridas que a vida deixa ao longo do caminho.

"Todo mundo tinha os próprios demônios para enfrentar ou não enfrentar, pensou ele. Talvez essa fosse a essência da vida. Talvez a vida fosse um teste para ver como cada um lida com isso e quanta empatia demonstra pelos outros enquanto trilha o próprio caminho."

E é fofo, sexy, apaixonante! A escrita da Mary nos envolve de tal forma que quando menos notamos o livro já acabou. O livro é cheio de personagens importantes e sei que muitos aparecerão nos próximos. A família de ambos são presentes e tem sua importância na trama. Adorei o desenvolver da história, a forma que a autora explora o amor dos dois, e como a vida os moldou daquela forma. Cada um tem sua quota de sofrimento, decepção, culpa e pesar, e trabalhar o perdão de si mesmo nunca é fácil, mas quando se tem apoio e alguém que nos ouça e nos compreenda verdadeiramente, é muito bom.

"[...] Todos nós merecemos ser amados, Gwendoline, de uma forma plena e incondicional. Mesmo quando carregamos o fardo da culpa e acreditamos não merecer amor. A verdade é que ninguém merece. Não sou religioso, mas acredito que é disso que tratam as religiões. Ninguém merece, mas ao mesmo tempo, todos nós somos dignos do amor."
É um livro bem completo. Você vai rir, se irritar, se compadecer deles, querer dar uns sacodes nos personagens, mas se você gosta de romances de época, sei que irá gostar desse primeiro livro da série Os sobreviventes. Espero ansiosa pelo próximo casal de destaque e já faço minhas apostas para quem vai ser desde já! A revisão do livro está impecável e achei a capa simples e delicada, fugindo um pouco dos padrões costumeiros das capas de romances da editora. Leiam e me digam o que acharam! ❤

     

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