Garotas e livros

Até o fim - Harlan Coben

Por 17:15 0 comentários

Desde que a editora Arqueiro me apresentou o primeiro livro de Harlan Coben em 2011, eu me apaixonei. Sou fã de thrillers, suspense, investigação e essa linha que se segue. Eu já lia muito Sidney Sheldon, então conhecer Harlan foi um ganho a mais na minha lista de favoritos. Me tornei uma leitora assídua de seus livros, uma eterna fã. E sempre que há um livro novo eu fico ansiosa até tê-lo em mãos.

O detetive Nap Dumas nunca mais foi o mesmo após o último ano do colégio, quando seu irmão Leo e a namorada, Diana, foram encontrados mortos nos trilhos da ferrovia. Além disso, Maura, o amor da vida de Nap, terminou com ele e desapareceu sem justificativa.
Por quinze anos, o detetive procurou pela ex-namorada e buscou a verdadeira razão por trás da morte do irmão. Agora, parece que finalmente há uma pista.
As digitais de Maura surgem no carro de um suposto assassino e Nap embarca em uma jornada por explicações, que apenas levam a mais perguntas: sobre a mulher que amava, os amigos de infância que pensava conhecer, a base militar próxima a sua antiga casa.
Em meio às investigações, Nap percebe que as mortes de Leo e Diana são ainda mais sombrias e sinistras do que ele ousava imaginar.
Título original: Don't let go
Autora: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2019
Páginas: 272
Adicione: Skoob

Primeiro trecho do livro:
Dayse estava usando um vestido preto colado ao corpo com um decote tão profundo que poderia dar aulas de filosofia. 


Neste livro narrado em primeira pessoa, o protagonista conversa constantemente com seu irmão, já morto. O detetive Nap Dumas simplesmente narra o livro para Leo, que foi encontrado morto junto a sua namorada, ainda adolescentes. Já se passaram quinze anos desse o fatídico dia e o detetive ainda investiga o caso. Ele não acredita nas respostas que os policiais deram, não aceita a forma como tudo aconteceu. Além de perder o irmão, na mesma noite sua namorada simplesmente desaparece. Vai embora sem nenhuma explicação. Por quinze anos ele também a procurou, mas nunca houve nada, até uma provável pista surgir. 

"[...] Ela tinha toda a razão. A vida continua, como deve ser, mas isso me parecia um absurdo. Quando temos uma ferida aberta, pelo menos temos alguma coisa. Quando a ferida se fecha, sobra o quê? A gente segue adiante, só que não era isso que eu queria."

Foi estranho no começo ver a história sendo narrada para seu irmão. A todo momento ele explicava a Leo os fatos, lamentava a vida que o irmão não viveu, culpava-se por não ter sido um irmão melhor. O detetive me lembra Myron Bolitar, personagem de outros livros do Harlan. Por seu jeito de seguir a intuição e seu senso comum, muito mais que a lei e ir atrás de tudo e todos para descobrir o que quer, tanto quanto seu senso de humor ácido. Mas as pistas que Nap encontra o faz revirar o passado e abrir feridas que não cicatrizavam. Quanto mais Nap vai fundo na história, mais estranha ela fica.

"Então, para que mudar? Imagino que um psiquiatra teria um milhão de explicações para minha imobilidade, mas creio que a resposta nem seja tão profunda assim. Talvez seja mais cômodo ficar onde estou. Mudar dá muito trabalho."


"A base esconde um segredo terrível: era uma prisão secreta para tortura de terroristas potencialmente perigosos. O governo seria capaz de matar para manter um segredo? A resposta é tão óbvia que a pergunta se torna a retórica. Claro que seria."

Sabe aquelas teorias da conspiração americana? Algo que se ouve de boatos mas nada nunca é dado como certo? O enredo foi criado a partir de um boato do tipo. Que, como o autor explica antes de começar a obra, acabou por se provar real. A partir da pista que dá início a trama - o assassinato de um policial e um possível paradeiro de Maura - vão se interligando aos novos fatos com os casos que aconteceram quinze anos atrás. O livro ganha um ritmo acelerado desde a primeira página e é difícil soltar até acabar. São diversos personagens que surgem e tem sua importância na obra, acrescentando novas pistas e nos dando as respostas ao longo das páginas. 

"Faço o que ele manda. E como sempre acontece quando leio comentários nas redes sociais, minha fé na humanidade despenca vertiginosamente."

Em determinado momento o ritmo desacelera e quando vemos, já estamos no final, que me surpreendeu. Sempre tento achar o culpado ou o motivo central nos livros de Myron, mas raramente acerto. Eu gostei do desfecho, embora tenha ficado muitas pontas soltas ou faltado explicações suficientes em algumas coisas. Não foi um dos melhores livros que li do Mestre das noites em claro, mas é um bom livro.

"Nunca perdi o gosto pelas bibliotecas. Adoro contraste entre a modernidade dos computadores e a velhice encardida dos livros. Para mim as bibliotecas têm a atmosfera de uma catedral o silêncio de um templo dedicado ao saber. São lugares onde os livros e a informação têm um valor quase religioso." 

Mesmo não sendo mais um favorito do Coben eu recomendo a leitura. A edição está perfeita e eu amei a capa! Diferente de todas as outras já lançadas. Já não vejo a hora da Editora Arqueiro trazer novos livros do mestre! ❤

   

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