Garotas e livros

A caça - M. A. Bennett

Por 19:06 0 comentários

Greer McDonald era uma garota comum e estava se esforçando para se ajustar no novo colégio interno do qual ganhou bolsa. Mas a S.T.A.G.S. era a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, então seus alunos eram pessoas de elite, ricos e cheios de privilégios, totalmente diferente de quem Greer era. 


O ano letivo começou e Greer ­MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é.
Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “caça tiro pesca”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio... e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras.
Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita... e eles querem sangue.
Que a caçada comece!

Título original: S.T.A.G.S.
Autora: M.A. Bennett
Editora: Arqueiro
Ano: 2019
Páginas: 240
Adicione: Skoob

Primeira frase do livro:
"Eu sou uma assassina."

Sempre mantida de escanteio, ela se surpreende quando recebe um convite para passar um fim de semana na casa de um dos alunos modelos da escola. Henry Warlencourt era líder dos medievais, grupo de alunos de ditam as regras da escola e seguem realmente um padrão mais antiquado. O uso de celulares era quase inexistente, a internet era apenas para estudo e os meios de comunicação era uma coisa rara. Imagina um bando de adolescente sem TV e celular para se distrair. Só restava estudar mesmo. Ou participar de esportes um tanto peculiares, se é que eu considero esporte.

"CAÇA TIRO PESCA"

Era somente essas três palavras que constava no convite que lhe foi entregue. Querendo se enturmar e sem uma opção melhor para o que fazer, ela aceita e vai para a propriedade dos Warlencourt, junto com outros colegas que também foram escolhidos para o feriado. O que parecia ser um fim de semana em uma propriedade maravilhosa, com o lindo e perfeito Henry e mais outros adolescentes, se tornam os dias mais arriscados da vida de Gree. Quando alguém lhe dá um aviso que parece ser sério, tipo um "não vá, de jeito nenhum", pense um pouquinho antes de tomar qualquer decisão. Ao menos tente saber os motivos. 

"Eu podia ser inteligente em termos acadêmicos, mas fui monumentalmente idiota em não perceber antes o que estava acontecendo. Não que eu não tivesse sido alertada. Eu fui, e em termos muito claros."


"Enquanto nos afastavámos, olhei uma última vez para escola. E disso me lembro de modo especial: absolutamente todas as janelas tinham rosto. A escola inteira estava olhando os escolhidos partirem. Até os frades."

Alguns convites jamais deveriam ser aceitos, e esse é um deles. Greer é a narradora do livro, então ela está sempre falando com o leitor e desde o início ela já nos antecipa o que vai acontecer, e o com quem vai acontecer é totalmente previsível. O que ela não fala é 'como' tudo irá acontecer, mas durante a leitura vamos ligando os pontos e descobrindo o porque ela se desespera desde a primeira página.

"Ele tentou dar uma piscadela, bateu a taça na minha e deu um grande gole. Eu devolvi a minha taça de vinho para mesa e preferir beber um gole de água, tentando engolir um súbito e forte mau presságio. Os empregados eram adultos, claro, mas eram totalmente dominados por Henry. Eu me senti meio esquisita por não haver ninguém... no comando. Nada de pais. Apenas nove adolescentes numa casa enorme."

Junto com Shafeen, um jovem da realeza indiana e Chanel, uma nova rica que tenta se encaixar entre a elite da escola, os três vão ter que aprender a sobreviver aos riscos de uma caçada mortal. É um thriller com adolescentes e poucos ou nenhum adulto no comando por perto. Filhos riquinhos que tem liberdade para fazer o que bem entender, sabendo que não terão que arcar com qualquer consequência. São quase quatro dias numa casa longe de tudo e um "esporte" diferente a cada dia. Mas os riscos estão por toda a parte e a caçada já começou há muito tempo.

"- Para que as espécies mais elevadas prosperem - continuou Henry em tom comedido, razoável -, as inferiores precisam ser restringidas. 
Havia uma energia estranha na mesa, ma atenção faminta. 
- Então, o que você está dizendo - interveio Shafeen - é que algumas espécies não devem ter permissão de ascender. 
- Acertou no alvo. 
- Você está falando exclusivamente do reino animal? 
Henry virou os olhos azuis e frios para ele. 
- De que mais seria?"

Eu esperei mais desse livro, mas ele não deixa de ser bom. Eu imaginei mais suspense na história e também mais horror, porém ela não deixa de chocar com algumas situações. É uma boa história e tinha tudo para se desenvolver ainda mais, o que infelizmente não vi neste livro. A crítica sobre como usamos a internet, a forma como nos conectamos desenfreadamente e a vida de aparência, foi um apontamento interessante. A leitura é fluída e a narrativa de Greer não me cansou, mas é da metade para o final que as coisas começam a melhoras e mesmo já perto do fim você ainda tem vontade de socar a protagonista tolinha, mas vida que segue, ela aprende da forma difícil.

"Você só demonstrou o problema de viver a vida através de telas - gritou por cima do ruído da água. - Hoje em dia as crianças passam quatro horas por noite na internet. Vivem dentro de fones de ouvido, isoladas do mundo. Ninguém pode comer uma refeição sem tirar uma foto dela. Ninguém pode aproveitar um show sem filmar, nem conhecer uma suposta celebridade sem tirar uma selfie. As pessoas nem precisam mais manter a própria memória, o Facebook faz isso por elas. Tudo precisa ser gravado; as pessoas experimentam a vida através de uma tela do tamanho de uma carta de baralho em vez de vivê-la. E para quê? Nem tudo é um filme, Greer."

É no fim que o enredo nos mostra a grande proporção que a coisa toma e o que pode ser esperado para o próximo livro. Durante a narração, Greer, que é uma apaixonada por filme, faz várias referências a diversos tipos de longas. Sempre tem um momento ou uma fala que remete a ela a lembrança de algum filme, ou ela usa algum filme como analogia. É divertido essa mania dela, no começo. Depois torna cansativo, surgem diversas vezes durante o enredo. A edição está perfeita e essa capa é muito linda. A autora já divulgou o segundo livro, mas ainda não sei se a Arqueiro irá lançar. Eu realmente espero que sim. O epílogo deixa com um gostinho de quero mais e tô querendo saber como as coisas tomarão rumo.

  

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